O futuro que não chega

Nesta década, a vida se digitalizou, mas várias tecnologias e avanços são ainda promessas

Quando o assunto é previsão de futuro, a galera da tecnologia tem uma imaginação fértil e um otimismo quase descabido. Será que o futuro idealizado em 2010 realmente chegou agora? Expectativa e realidade ficaram bem longe.

Escolhemos as 20 principais inovações prometidas para 2020 (também conhecido como "logo mais"). Boa parte flopou completamente: nada de homem em Marte e nada de óculos inteligentes na cara das pessoas. Outra parte avançou, mas ainda não se impôs no cotidiano, como os carros elétricos. Mas sete dessas tendências viraram: os bancos digitais estão pra todo lado, e os dispositivos por comandos de voz também.

Veja abaixo o balanço das previsões. E aprenda a não acreditar em tudo o que falam por aí sobre o que vai acontecer até 2030. A ciência e a tecnologia podem progredir, mas o que vira realidade depende muito mais da economia, da aceitação do mercado e do cenário social, seja para produtos novos ou para mudanças estruturais.

Homem em Marte: flopou

A promessa de uma viagem tripulada para Marte, seja para buscar outras formas de vida ou para a humanidade ter um outro planeta como residência, já se arrasta há pelo menos três governos norte-americanos, desde a época de George W. Bush. Um relatório anual do conselho de Estudos Espaciais dos EUA de 1996 chegou até mesmo a projetar que a Nasa deveria estar pronta para enviar uma nave tripulada para o planeta vermelho em 2018. No entanto, apesar dos esforços da Nasa e até do bilionário Elon Musk, com a SpaceX, esse dia ainda não chegou. Uma das principais preocupações é que o nível de radiação presente em Marte possa causar danos no sistema cerebral dos astronautas, comprometendo não só o humor, mas também a memória e a capacidade de aprendizado dos tripulantes. Ao que tudo indica, esse plano vai ter que ficar para a próxima década. A boa notícia? Talvez quem chegue à Marte primeiro seja, afinal, uma mulher.

Óculos inteligentes: flopou

Uma das grandes promessas de gadgets de vestir, o Google Glass não teve o sucesso projetado. O par de óculos trazia uma câmera embutida acima de uma das lentes e uma haste com capacidade touch, para que o usuário acionasse seus controles. Glass foi mal recebido logo no início das vendas, em 2014, tanto pela invasão de privacidade quanto pela possibilidade de alterar a concentração de motoristas que o utilizassem (teve muita gente levando multa de trânsito nos EUA). Sua produção foi suspensa em 2015 e retomada pouco depois em edição corporativa, como apoio a profissionais de logística que gostariam de lidar com interfaces, ao mesmo tempo em que mantinham as mãos livres. "Existem no mercado alguns modelos de óculos que oferecem acesso a música e comunicação, como é o caso do Bose Frames, mas eles ainda não são usados pelo grande público", diz Roberto Frossard, do centro de inovação da Accenture no Brasil.

O fim do mouse e do teclado: flopou

Se você está diante de um computador, é provável que esteja gargalhando. A expectativa era que iríamos viver algo à la Tom Cruise em "Minority Report", usando gestos e telas sensíveis ao toque para lidar com o mundo digital, ou apostaríamos em utilizar projeções dos nossos teclados em quase quaisquer superfícies. Pode ser que a gente chegue lá, mas esses periféricos ainda devem se manter entre nós por algum tempo, seja pela maior precisão, pela ergonomia ou simplesmente por conta do nosso conforto em utilizá-los.

Robôs capazes de conversar: flopou

Um relatório da consultoria Gartner antecipou que até o final de 2018 teríamos atendimento digital ao cliente capaz de imitar conversas entre humanos, hábil a nos escutar, conversar por voz, entender contextos e históricos, diferenciar tons e trazer respostas. Por enquanto, só funciona mesmo os comandos para assistentes virtuais, estilo Siri ou Alexa. Mas nada de conversa. A verdade é que existem diversas tentativas, mas os atendimentos de telemarketing por voz, em geral, são falhos. Basta ligar para qualquer central de atendimento automatizada e dizer algo minimamente fora do roteiro para ficar preso em um loop infinito de respostas robóticas de "não entendi o que você disse" e demorar bons minutos até ser atendido por um ser humano. Se a estimativa da Gartner era de que até 2020 estaríamos conversando mais com robôs do que com nossos companheiros, fato é que até uma DR é mais produtiva do que tentar uma conversa de voz com bots de atendimento de bancos.

Economia do compartilhamento: flopou

O exemplo clássico da sharing economy era o de uma furadeira: para que comprar algo que se usa tão pouco? Melhor seria alugar ou emprestar. Preconizava-se que seria uma revolução dentro do capitalismo. A prática virou realidade em alguns poucos casos, como quando se compartilha o carro em um trajeto via BlaBlaCar ou Waze Carpool. A década de 2010 passou, e o conceito que a expert Rachel Botsnan definia como uma cultura "em que as pessoas seriam incentivadas a ganhar e economizar dinheiro utilizando coisas que elas já possuem" passou a se confundir com a oferta de serviços mediada por plataformas, criadas e mantidas por empresas que depois viraram corporações. O Uber e o AirBnB se expandiram, mas em uma estrutura bem verticalizada. Hoje, desempregados alugam carros em redes de locadoras para trabalhar no Uber, e grandes proprietários são os principais beneficiados pelo sistema implantando pelo AirBnB.

Micropagamentos: flopou

Havia uma expectativa de que a nova tendência de consumo seria o pagamento sob demanda, por meio de micropagamentos. Ao invés de assinar um jornal, por exemplo, pagaríamos apenas pelas matérias que efetivamente quiséssemos ler. A ideia era interessante e chegou até a ser implementada na plataforma de notícias Blendle. No entanto, os consumidores preferiram a ideia de assinaturas recorrentes que dessem acesso a catálogos mais extensos, como mostra o sucesso de plataformas como Spotify ou Netflix. "Os micropagamentos de até US$ 0,75, esperados em jogos como Candy Crush, leituras de reportagens ou para ouvir apenas uma canção, não progrediram diante da solidificação dos formatos de assinatura", afirma Willer Marcondes, gerente sênior da Accenture Strategy. O detalhe é que os consumidores passaram a compartilhar suas senhas com conhecidos. As plataformas apostaram então na criação de planos familiares. O sucesso do formato fez com que fossem criadas funcionalidades específicas para contas compartilhadas, como a recente playlist Mix Família do Spotify.

Jornal em papel eletrônico: flopou

A tendência acertou ao prever o fim de muitas publicações impressas, mas não é como se tivéssemos trocado o papel jornal por uma "tela plástica" para a leitura das notícias. As telinhas dos celulares, cada vez mais onipresentes nos nossos bolsos, e as telas maiores de tablets tomaram essa tendência de assalto, aumentando o número de assinaturas digitais. Ainda existem opções com telas de tinta eletrônica (e-Ink), usada em dispositivos como o leitor de livros Kindle, mas o foco é a leitura de livros e não de noticiário. O que os números mostram é que deixamos de ler jornais em papel: em 2018, a circulação de jornais impressos caiu 12% nos EUA, enquanto a tiragem impressa de jornais brasileiros caiu quase 42%, entre 2014 e 2017. Em alguns casos, a redução das tiragens não foi suficiente para manter as publicações em funcionamento - segundo o Atlas da Notícia, 81 veículos jornalísticos brasileiros fecharam suas portas entre 2011 e 2019.

Carros voadores: avançou

A alternativa de colocar os carros para voar já está sendo discutida na criação dos chamados eVTOLs, veículos elétricos de decolagem vertical, prometidos para o início dos anos 2020, mas que ainda não vieram a público. A brasileira Embraer é uma das envolvidas no desenvolvimento de eVTOLs, mas como os avanços ainda acontecem de forma confidencial, é difícil saber o estágio da produção desses veículos e prever a sua chegada ao mercado. Pensando em ampliar suas possibilidades de mobilidade urbana, a Uber também tem apostado nos carros autônomos voadores e promete para 2020 os primeiros testes, que devem acontecer na cidade de Melbourne, na Austrália. Se tudo der certo, as primeiras operações comerciais dos eVTOLs da Uber devem acontecer ainda nos anos 20.

Carros elétricos: avançou

Há 10 anos, quando os relatórios de inovações da indústria automobilística mencionavam a troca do combustível fóssil para elétrico, as previsões não eram boas. As apostas do Boston Consulting Group, por exemplo, tinham mais a ver com a redução da emissão de gás carbônico dos motores a combustão, com a visão de que o uso de combustível fóssil ia continuar dominante até 2020. No entanto, ninguém previa a pressão que a Tesla de Elon Musk iria provocar no mercado — para se ter uma ideia, a marca não é nem mesmo mencionada na maioria dos relatórios do início da década de 2010. Ainda que apresente um baixo número de unidades vendidas mundialmente (cerca de 244 mil unidades em 2018, menos de 10% do total de carros vendidos no Brasil no mesmo ano), a Tesla pressionou as grandes montadoras a acelerar o desenvolvimento dos seus modelos elétricos e autônomos.

Entretenimento global: avançou

Segundo relatório da empresa de serviços financeiros Intuit, estaríamos em 2020 bem vez mais expostos a diferentes culturas. Ao menos no entretenimento, isso tem se tornado possível. Produções nacionais hoje têm mais alcance global, basta reparar o catálogo da Netflix. Nos últimos anos, a plataforma de streaming estreou globalmente produções como a brasileira "3%", a alemã "Dark" e a espanhola "La Casa de Papel". O mundo dos games, especialmente os digitais — como os divulgados na plataforma de jogos Steam — costumam também ter alcance global, o que dá ao usuário a oportunidade de conhecer interfaces e histórias de culturas diferentes. Ainda assim, estudiosos lembram que apesar de o alcance ser amplo, ainda não seria correto etiquetá-lo como global, mas sim "transnacional". "O acesso a plataformas como a Netflix pressupõe o acesso à banda larga, um computador funcional, eletricidade e dinheiro para o pagamento da assinatura mensal, o que limita o seu escopo para as elites globais", afirma a professora doutora Mareike Jenner, da Escola de Indústrias Criativas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Profissionais nômades: avançou

A popularização dos computadores portáteis e o maior acesso à internet banda larga estável fizeram com que o trabalho remoto se tornasse uma realidade. Nos EUA, os anos 2010 trouxeram um aumento de 150% na adesão ao trabalho remoto. Há 4 milhões de norte-americanos atuando fora de escritórios, segundo dados do FlexJobs. No Brasil, a adoção do home office ainda é lenta. Segundo uma pesquisa do Ibope Inteligência, realizada em 2018, 53% dos profissionais brasileiros relataram nunca poder fazer trabalho de casa, enquanto apenas 20% declararam trabalhar remotamente por mais da metade do seu expediente. Apesar da resistência das empresas e de alguns gestores, que se assustam com os desafios de gerenciar equipes à distância, 85% dos profissionais brasileiros afirmam que uma reunião remota não deixa nada a desejar em relação a encontros presenciais. Além disso, a regulamentação do teletrabalho trazida pela reforma trabalhista de 2018 tende a facilitar a implementação de políticas de trabalho à distância nas corporações.

Inclusão das mulheres na economia: avançou, mas pouco

De acordo com relatório de tendências de 2010 da Intuit, a expectativa em 2020 era que a diferença salarial entre homens e mulheres fosse reduzida ao mínimo. Ainda estamos longe da paridade, mas a pressão social aumentou. "Estamos falando de uma mudança cultural, que precisa de mais tempo que uma mudança econômica para efetivamente acontecer", diz Maíra Liguori, diretora da ONG Think Olga. No Brasil, a diferença de renda entre homens e mulheres diminuiu apenas 3% entre 2012 e 2018, segundo o IBGE. "Para chegar a uma economia capaz de incluir verdadeiramente as mulheres, será preciso alterar a forma como nos organizamos também como sociedade", lembra a executiva. Segundo os mais recentes dados do Fórum Econômico Mundial, o mundo ainda vai precisar de 108 anos para conseguir acabar com a disparidade salarial entre gêneros, bem mais do que os 83 anos estimados no relatório de 2016. A estimativa mais otimista é da ONU Mulheres, que prevê equiparação salarial entre homens e mulheres só depois de 2069.

Diversidade no trabalho: avançou, mas pouco

A expectativa em 2010 era que o ambiente de trabalho se tornasse mais diverso, segundo um relatório da unidade de inteligência da The Economist. Há pressão sobre o mundo corporativo, mas os resultados ainda não chegaram. Entre 2013 e 2015, houve um despertar social dos grupos minorizados, movimento que foi captado pelas companhias rapidamente, o que alterou o tom de suas campanhas publicitárias. "As empresas passaram a apostar em campanhas inclusivas, com maior diversidade e representatividade. Isso é importante porque visibiliza os grupos, mas é uma mudança estética. Há a cobrança também por uma mudança ética: como replicar a mensagem das campanhas também dentro das empresas?", contextualiza Maíra Liguori, do Think Olga. A pressão levou grandes empresas como Apple, Facebook, Google e Microsoft a divulgarem relatórios de diversidade, mas os resultados ainda são pífios: de acordo com dados compilados pela Wired, ainda que haja algum progresso na inclusão de mais mulheres nos quadros de funcionários, a presença de negros e latinos se manteve estagnada nos últimos cinco anos. A Apple, por exemplo, tem só 6% do seu corpo técnico formado por negros.

Comidas móveis: virou

Os carrinhos de cachorro-quente e comidas de rua estão por aí há décadas, mas no início dos anos 2010 vimos um boom dos chamados foodtrucks, automóveis adaptados para servir comida. O canal Food Network, nos EUA, chegou até mesmo a fazer um reality show com um embate entre os diferentes tipos de foodtrucks norte-americanos, e a tendência chegou ao Brasil: só a cidade de São Paulo chegou a contar com 400 carrinhos de comida móvel. Em 2017, o número não passava de 200. Hoje, a comida continua se movendo, mas ao invés das quatro rodas de um truck ela chega às casas nas duas rodas de motos ou bikes, pela popularização dos aplicativos de entrega. Além da boa e velha pizza de sábado à noite, apps como iFood e Rappi entregam uma grande variedade de comidas, que chegam em embalagens cada vez mais bem adaptadas a entregas "para viagem".

Comprar sem passar pelo caixa: virou, mas está no começo

Se o objetivo era automatizar a forma como fazemos compras, a Amazon prometeu e cumpriu a proposta na mesma década. Em meados dos anos 10, a gigante do varejo anunciou que iria criar um modelo de loja que permitiria ao consumidor entrar, pegar um item da prateleira e sair sem precisar passar em um caixa. A única coisa a fazer seria se identificar como um comprador Amazon na catraca da entrada. Misturando tecnologias que costumam ser utilizadas nos carros autônomos - como visão computacional, sensores e deep learning - hoje já existem nos EUA ao menos 18 lojas da Amazon Go em cidades como Chicago, Nova York, Seattle e San Francisco, com a promessa de inauguração de mais seis unidades em breve.

Gig economy: virou, mas a que preço?

A tendência vinha com ares de utopia: iríamos viver em um mundo de trabalhos mais flexíveis, sem necessidade de bater ponto na entrada e na saída, atuando a partir de quase qualquer lugar. A previsão se confirmou na última década com menos oferta de postos de trabalho tradicionais e o aumento da informalidade, dos freelancers e dos empreendedores individuais. Segundo o Sebrae, entre 2009 e 2016, o número de Microempreendedores Individuais (MEI) no Brasil saltou para 6 milhões, com uma média de 1 milhão de novos cadastros anualmente. Em 2019, os MEIs já eram mais de 9 milhões, com quase 1,3 milhão de novos microempreendedores se cadastrando na modalidade entre janeiro e setembro. Aumentaram também os trabalhos precarizados, como a prestação de serviços via aplicativo (motoristas ou entregadores) ou a realização de pequenas tarefas que "completam" as atividades que algoritmos e inteligências artificiais não fazem sozinhas (como identificar e etiquetar fotografias ou revisar conteúdos marcados como impróprios). Além de serem apontados pela pesquisadora norte-americana Mary Gray como trabalhos "invisibilizados", essas atividades também "escravizam" trabalhadores, na opinião do sociólogo e professor da Unicamp Ricardo Antunes. "Apesar da tecnologia, o mundo real não oferece trabalho para todos. Muitos vivem na barbárie, outros na assistência do Estado, e outros se transformam em escravos digitais, pois o trabalho já não tem hora para acontecer. Nunca trabalhamos tanto quanto hoje", sintetiza.

Fusão de trabalho e vida pessoal: virou, mas a que preço?

Quem nunca resolveu treta de trabalho pelo WhatsApp particular? E quem nunca resolveu assuntos familiares pela mesma plataforma quando está no trabalho? Como previa um relatório da Gartner de 2010, a fronteira entre vida pessoal e trabalho está cada vez mais tênue. Um dos motivos para que isso tenha acontecido foi o aumento de profissionais que se dedicam a profissões e projetos por gosto, explica Rosana Hermann, que além de escritora, apresentadora e roteirista, é também decana das mídias digitais no Brasil. "Caiu o muro que separa o horário de trabalho, não dá mais para desligar as máquinas às seis da tarde e ir embora", opina. Essa porosidade também tem a ver com a nossa maior disponibilidade no mundo digital. O tempo humano foi formato ao tempo das máquinas. "Antes, não se ligava para o telefone de casa de um profissional, a não ser que fosse uma emergência. Mas agora, com uma maior permissividade digital, qualquer pessoa pode entrar em contato com você para falar de trabalho o tempo todo", observa Hermann. O problema é que essa gestão de demandas complexas e simultâneas acaba levando os trabalhadores contemporâneos a sofrerem mais com estresse, baixa performance e irritabilidade.

Tradução instantânea de qualquer lugar: virou

Não é exatamente a chegada do Peixe Babel proposto pelo livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias", mas a vida ficou bem mais fácil com a chegada de tradutores instantâneos como o Google Translator. Ainda que a qualidade das traduções seja debatível, ela é bem suficiente para fazer viagens e navegar funcionalmente por um site em chinês. Há quem também aposte na tecnologia para viagens internacionais para países de língua complicada — como é o caso desta repórter, que lançou mão do aplicativo do Google Translator para entender menus em restaurantes da Noruega.

Busca por voz: virou

Dar ordens via voz virou realidade. Peter Norvig, que há dez anos já era diretor de pesquisa do Google, previa que até 2020 "a maioria das buscas será falada, não digitada". Não só as buscas por voz estão em alta, mas também as ordens para assistentes digitais, capazes de buscar informações, tocar música ou até controlar equipamentos high-tech de uma casa. Segundo Ricardo Garrido, gerente da Alexa no Brasil, os usuários da caixinha inteligente da Amazon fazem mais de 1 milhão de requisições para controlar lâmpadas, interruptores e outros aparelhos domésticos conectados. Lançada em 2014, a Alexa funcionava apenas em inglês, mas nos últimos 5 anos é capaz de reconhecer também espanhol, italiano, francês, hindu e, agora, português do Brasil. "Criamos uma terceira língua, o 'inglês-brasileiro', para garantir que a Alexa falaria as palavras em inglês como falam os brasileiros: 'smártifôni', 'fêicibúqui', 'linque-dín'", detalha Garrido. A maior presença de assistentes de voz como Siri, Alexa ou Google Assistent é um desafio à privacidade, com o risco de se ter um dispositivo "xereta" ouvindo todo tipo de conversa. Como resposta às críticas, a Amazon recentemente adicionou um novo comando para a Alexa: basta dizer "Alexa, apague tudo o que eu disse hoje" para ter seu histórico de voz excluído.

Bancos cada vez mais digitais: virou

Mais do que digitalizar os bancos tradicionais, essa tendência chacoalhou o mercado financeiro, alavancando o sucesso de diversas empresas de tecnologia financeira, entre elas PagSeguro, Nubank e Stone, que alcançaram a alcunha de unicórnios brasileiros, nome dado às startups que são avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares. "O fenômeno de ter o 'banco no celular' cresceu a partir de 2015, e teve grande impacto no consumo de serviços financeiros, graças às novas tecnologias e à flexibilização regulatória", contextualiza Ricardo Heidel, do setor de estratégia de negócios da Accenture. Ele lembra que já em 2017 o total de transações em internet e mobile banking superava as transações feitas em canais físicos. Hoje, a estimativa do Boston Consulting Group é que existam mais de 15 milhões de contas brasileiras em mais de 50 serviços financeiros digitais, que incluem bancos completos, serviços de pagamento, investimento e cartões de crédito e débito. Um dos motivos para esse crescimento, segundo o relatório mundial de bancos de varejo da Capgemini, é a busca dos consumidores por custos mais baixos, facilidade de uso e rapidez no serviço.

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