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CAOScast: dois anos de covid-19: 'retornar ao normal' é enfrentar dilemas

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Do TAB

23/12/2021 04h01

Foram quase dois anos de trabalho remoto e vida social bem próxima do zero. Agora, com taxas de vacinação crescentes, muita gente ensaia um retorno à normalidade.

Esse movimento, embora necessário, traz junto um monte de dilemas. Quais os protocolos? Estamos prontos? Como estão nossas habilidades de interação sem as telas como intermediárias? Onde fica a ansiedade? No último episódio deste longo 2021, este é o tema debatido pela turma do CAOScast.

Líder de pesquisa da Consumoteca, Marina Roale lembra que existe uma sigla em inglês, FOBS, para explicar esse fenômeno. "'Fear of Being Spontaneous', basicamente 'a fobia do espontâneo'. A gente perdeu a coisa do casual, tem vivido uma realidade [mediada] por telas em que a gente consegue apagar, editar, ajustar nossa versão. Agora, para voltar à vida normal, a gente tem de entender os novos protocolos, desde o como vou vestido até o que pode ou não pode", diz ela (ouça a partir de 7:10).

É uma dificuldade com a qual teremos de lidar — com um contexto permeado por encanações que vão desde o medo de tocar nas coisas à ansiedade por abandonar ou não o estado 100% alerta. "Até porque tem uma pandemia rolando ainda", enfatiza a pesquisadora.

O pesquisador Michel Alcoforado explica que a pandemia significa "um trauma coletivo". "Todo mundo de certa forma é impactado, mas os reflexos em nosso comportamento trazem sintomas ou consequências vividas de maneira diferente por cada um de nós", diz ele (a partir de 9:40).

"Ficou muito claro que a pandemia do novo coronavírus provocou uma completa reorganização da forma como a gente classificava o que era bom e o que era ruim", acrescenta ele. "Mas sobretudo trouxe outras dimensões sobre o que é luto, depressão e amanhã."

Ele atenta para o fato de que tudo isso acarreta uma mudança completa na nossa maneira de nos relacionar com o mundo e com os outros.

"Vai ter muita coisa que a gente fazia e que agora não vai mais fazer sentido. E o inverso também. Porque o trauma perdura no tempo. Na pandemia nossa cabeça mudou e a gente estabeleceu outras prioridades", afirma a pesquisadora Carmela Moraes (a partir de 11:15).

Para eles, tudo se explica pelas novas capacidades que foram exigidas de nós durante esse período de forçado isolamento social. E como nosso organismo acabou se adaptando a esse "novo normal".

Já há quem diga que desenvolvemos um "cérebro pandêmico", comenta Marina. "É justamente esse cérebro que funciona de um novo jeito" (ouça em 12:40).

Na hora de avaliar o retorno ou não às atividades presenciais, tudo isso precisa ser levado em conta. E, claro, idealmente seria bom que o tempo de cada um fosse respeitado — já que nem todos estão na mesma toada com relação à sensação de segurança, luto e eventos traumáticos.

A pesquisadora Rebeca de Moraes diz ainda que o desafio do retorno é permeado pela falta de padronização dos protocolos. "As regras do que pode e do que não pode são mais confusas do que as do período de isolamento. Antes, havia um consenso entre as pessoas que acreditam na ciência", compara ela (a partir de 15:00).

Carmela admite que sente dificuldade de "imaginar um cenário em que possa sair de casa sem máscara" e que fica desconfortável quando pensa "como esses retornos estão completamente desorientados" (a partir de 24:20).

"A volta inclui a utilização do corpo físico e passar por questões psicológicas bem tensas", argumenta ela. "O convívio e o tato social sofreram alterações com a pandemia. Como lidar com os músculos sociais atrofiados de um lado e a vida exigindo o retorno aos poucos?"

"As marcas encontraram ali um terreno editorial sem as entraves éticas do jornalismo, onde a rigor se separa claramente o que é publicidade o que é editorial", comenta ela (7:45).

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