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Novo sistema do Google para identificar robôs coloca privacidade em xeque

O programa do Google analisou mais de 42 mil tomografias de pulmão - Getty Images
O programa do Google analisou mais de 42 mil tomografias de pulmão Imagem: Getty Images

do TAB, em São Paulo

29/06/2019 04h00

O Google lançou nova versão do reCaptcha, sistema que identifica ações de robôs em páginas da internet. A novidade promete mais eficiência em detectar máquinas e melhor navegação para o usuário, mas também levanta preocupações a respeito de privacidade.

Em versões anteriores, o Google pedia para o indivíduo identificar placas de carro, tentar entender letras estranhas ou clicar no botão "eu não sou um robô". Embora o sistema tenha se aprimorado, ele ainda representava uma interrupção na navegação do usuário e conseguia ser driblado por programadores mais engenhosos.

Por isso, a empresa lançou a terceira versão do reCaptcha, chamada apenas de V3. Nela, o usuário não precisa fazer nada para provar que é humano. O webmaster coloca um código do Google em todas as páginas de seu site e, automaticamente, o sistema analisa o comportamento do internauta. Caso a navegação seja muito fora do padrão, o Google dá uma nota baixa - indicando que possivelmente seja um robô. Os critérios usados pela análise são segredos da empresa.

Veja uma explicação da empresa no vídeo abaixo:

Mohamed Akrout, doutorando em ciência computacional na Universidade de Toronto, publicou um artigo revelando como o novo reCaptcha prioriza usuários que navegavam conectados a uma conta da empresa. "Se você tem uma conta do Google, é mais provável que você seja humano", explica à FastCompany.

Diferente dos reCaptchas anteriores, que funcionavam apenas em uma página específica, a nova versão precisa ser utilizada em todas de um site. Com isso, o Google consegue coletar mais dados do indivíduo.

À publicação, a empresa afirmou que o sistema só coleta dados de hardware e software do usuário e que essas informações são usada apenas para combater spams e abuso.

Esse tipo de coleta de dados, que utiliza os chamados cookies, acontece na internet toda. Páginas com o botão de "curtir" do Facebook, por exemplo, também informam à rede social que você está navegando por lá.

"É uma faca de dois gumes. Você ganha algo, mas também dá ao Google um pouco mais controle sobre tudo online", diz Marcos Perona, especialista em segurança digital, à revista.

Para Perona, o novo reCaptcha é um "apropriador de territórios online", que fortalece ainda mais o poder do Google. Ele funciona como outros produtos da empresa, como o AMP (que permite visualizar links de forma mais rápida, porém dentro do próprio Google) e do Chrome, navegador da empresa e que já foi chamado de "software de vigilância" pelo jornal The Washington Post.

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