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CAOScast: Como o influenciador digital virou negócio

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09/12/2021 04h00

Eles estão em todas as abas, em todas as telas, em todas as redes sociais. Vendem lifestyle por meio de produtos que juram usar, serviços que dizem consumir, sonhos que parecem viver. Cada vez mais consolidado, o influenciador digital é um profissional que faz parte do dia a dia contemporâneo.

No episódio desta semana, a equipe do CAOScast debate como os influencers ganharam espaço no mundo das redes sociais e, entre Stories de recebidos, jabás e monetizações em geral, se tornaram ferramentas importantes para as narrativas de marketing. Para ouvir, basta clicar no vídeo acima.

Líder de pesquisa da Consumoteca, Marina Roale denomina esse fenômeno de "massificação da influência". "A gente valorizava muito essa coisa do amador porque eles transmitiam autenticidade. Mas a coisa foi evoluindo, foi se profissionalizando, o nome 'influenciador' surgiu, e hoje são profissionais que estão criando conteúdo. E muitas dessas pessoas viraram mais do que blogueiros ou influencers, são celebridades", diz ela (a partir de 4:30).

Segundo a pesquisadora, são pessoas que "vendem a vida delas, vendem lifestyle". E neste contexto, claro, também respondem a uma pressão do mundo contemporâneo: quem não se expõe nas redes, fica para trás.

Fato é que, se antes era raridade esse papo de ser blogueiro, hoje está cada vez mais comum o sonho de quem quer fazer um post em troca de uma boa graninha. Esse processo fez com que muita gente transformasse isso em carreira.

"Já tem algumas universidades com curso para quem quer virar influenciador, com diploma e tudo. Se antes os blogueiros aprendiam fazendo, hoje tem até curso profissionalizante para isso. Será que virar influenciador é algo que se aprende?", pergunta o pesquisador Michel Alcoforado (a partir de 10:00).

Quem responde é a especialista Bia Granja, convidada pelo programa. "Eu não acredito que influência é algo que possa ser aprendido porque eu não vejo a influência como um fim, como um objeto a ser conquistado", pontua ela (11:30).

"A influência é consequência de alguma coisa que faz com que as pessoas te reconheçam como uma liderança, uma autoridade, alguém cuja opinião importa a ponto de moldar também a minha opinião. Ninguém nasce influenciador", completa.

Para Bia, quem quiser se tornar influenciador precisa planejar a construção do conteúdo, considerando o nicho de atuação, a visão sobre o tema e a periodicidade. O público reconhece quando vê o material como autêntico, verdadeiro e responsável. E, sim, esse público precisa ser tratado como um consumidor, principalmente porque é exigente. "Quanto mais a gente exigir qualidade como consumidor, melhor será, porque é um mercado e somos consumidores desse mercado. É um mercado que está evoluindo", diz a pesquisadora Stella Seixas (13:45).

Mas claro que é preciso também problematizar a questão. Michel atenta para as dificuldades que os influenciadores parecem ter em delimitar o público e o privado. "A necessidade de você abrir o Stories chorando, em lágrimas, é importante ou não é importante? Essa dimensão, ou essa necessidade que muitos influenciadores cada vez mais têm de, para tentar a própria humanização, expor com força e virulência os detalhes cotidianos é um ponto importante nessa quebra dos limites da intimidade", diz ele (17:20).

A pesquisadora Rebeca de Moraes traz outro ponto: por se tratar de uma atividade completamente desregulamentada, os limites éticos do influenciador são os seus próprios. E isso implica diretamente na maneira como a publicidade é veiculada.

"As marcas encontraram ali um terreno editorial sem as entraves éticas do jornalismo, onde a rigor se separa claramente o que é publicidade o que é editorial", comenta ela (7:45).

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir CAOScast, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e YouTube.