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Ser Sonoro

Podcast sobre sons, música e o mundo da escuta


Ser Sonoro #12: como ficamos atentos ao que se vê, mas não ao que se ouve?

Público assiste a uma transmissão de Cinerama na Broadway em Nova York, no ano de 1952 - Ralph Morse/The LIFE Picture Collection/Getty Images
Público assiste a uma transmissão de Cinerama na Broadway em Nova York, no ano de 1952 Imagem: Ralph Morse/The LIFE Picture Collection/Getty Images

Do TAB

15/05/2021 04h01

"Se grande parte da humanidade hoje passa os dias com os olhos em telas e os ouvidos desatentos, tudo isso começou muito tempo atrás, com os pensadores da Grécia antiga, o imperador romano Júlio César e os apóstolos cristãos. Foi olhando nesse retrovisor da história que o filósofo Martin Heidegger disse: 'Desde seu início, a tradição filosófica tem sido orientada em direção a ver como forma de acesso ao ser'" (ouça a partir de 20:29).

Transportando o foco da audição para a visão, o podcast Ser Sonoro chega ao seu último episódio da primeira temporada com a reflexão: como foi que construímos um mundo tão dependente dos olhos, e com ouvidos tão desatentos?

Fernando Cespedes nos leva em mais uma viagem no tempo, cheia de insights e surpresas, tentando compreender por que a visão ganhou o posto de maior dos cinco sentidos. "A forma com que a gente descreve nossa interação com o mundo é ao mesmo tempo causa e efeito do domínio da visão no nosso dia a dia. (...) Talvez sabendo como nós chegamos até aqui, a gente consiga entender por que ver com os próprios olhos quer dizer tanta coisa e ouvir dizer significa tão pouco" (a partir de 1:49).

Dos cientistas aos MC's, de Júlio César a Moisés (sim, o da Bíblia), o testemunho sempre foi mais importante quando era ocular. "Até hoje a gente não sabe se o imperador [César] escutou os gritos de guerra do inimigo, se cheirou o sangue derramado, ou pelo menos tocou numa espada durante a batalha. Tudo o que a gente sabe é que ele viu?": "Veni, vidi, vici" (a partir de 9:35).

Para sermos justos, não dá para esquecer que a audição tem, sim, seus momentos de glória pela história. "O método pitagórico foi um dos primeiros podcasts de educação: o único recurso do mestre para transmitir o conhecimento era a sua voz. E o método era radical: para garantir que só o som faria a ponte entre ele e os alunos, os ensinamentos eram passados por trás de um véu. Os alunos, conhecidos como acusmáticos, tinham que prestar muita atenção na voz do mestre, confiar na memória auditiva e aprender em silêncio" (a partir de 11:50).

Mas, no fim das contas, nem mesmo a música conseguiu escapar ilesa da soberania dos olhos sobre os ouvidos. "Além da prensa de Gutemberg, outras quatro invenções deram força pra esse mundo visual que estava sendo construído. No século 16, Gerardo Mercator apresentou sua projeção de mapas em cilindro, que colocou o planeta inteiro diante dos olhos e facilitou as navegações. No século seguinte, a visão ganhou superpoderes, com a invenção do telescópio e do microscópio. A última foi a notação musical, a reunião de vários símbolos visuais que traduzem sons em imagens" (a partir de 15:56).

Quer conhecer melhor a história de como a visão reinou sobre os outros quatro sentidos? Que tal fechar os olhos, colocar os fones de ouvido e acompanhar o último episódio da primeira temporada de Ser Sonoro? É só dar play acima!

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