Da Itália, Luciano Hang vê candidatos ao governo de SC disputarem seu passe

Dono da Havan, Luciano Hang ensaia há meses uma candidatura ao Senado por Santa Catarina. A possibilidade de contar com um ícone do bolsonarismo mexe no xadrez político dos pré-candidatos a governador alinhados com o presidente Jair Bolsonaro (PL).
O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), afirmou que desistirá de concorrer ao cargo se não tiver o empresário na chapa. Ele chama a composição com o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB), e Luciano Hang de "chapa dos sonhos".
Outro pré-candidato a governador do campo político bolsonarista é o senador Jorginho Mello (PL). Ele não fala sobre a filiação de Hang no momento, mas o deputado estadual Ivan Naatz, também do PL, declarou que o companheiro de partido está garantido no segundo turno se tiver o dono da Havan como aliado de chapa.
As consequências da aspiração política de Hang ainda afetam o PP. O prefeito de Chapecó planeja colocar o empresário neste partido e assim consumar o apoio da sigla à sua aliança. As negociações trouxeram para a conversa o senador Esperidião Amin (PP), que esteve em Chapecó na sexta-feira (25) participando de reuniões.
Diante de tanta articulação envolvendo seu nome, Hang dialogou com todos os interessados ao longo das últimas semanas. Na sequência, recorreu a seu estilo midiático para mandar recado. Ele publicou, nas redes sociais, a imagem de um cavalo caminhando calmamente à sua frente. No vídeo, sugeriu que não ia deixar o cavalo encilhado passar.
Parecia que a decisão estava tomada. Hang marcou um evento pomposo para 18 de março, no qual anunciaria seu destino eleitoral. Centro de convenções de hotel reservado, aviso de entrevista coletiva enviado à imprensa e expectativa por parte dos políticos catarinenses. Tudo isso para o evento ser adiado a menos de 24 horas do início. O empresário foi para a Itália refletir.
Silêncio alimenta especulações
Desde que chegou à Europa, o dono da Havan não deu declarações sobre que decisão política vai tomar. A volta da Itália, programada para a próxima quarta-feira (30) e a decisão do empresário será conhecida. Ela estará pressionado pelo tempo porque a data para filiação a um partido acaba em 2 de abril (próximo sábado).
Há quatro cenários sobre a mesa sendo estudados por Hang. Ele pode fazer a vontade do Palácio do Planalto e ser companheiro de partido de Jair Bolsonaro no PL - o presidente pediu. Nesse caso, estaria na chapa do senador Jorginho Mello.
Outra possibilidade é fechar com o PP e concorrer na aliança articulada por João Rodrigues. O prefeito de Chapecó afirmou que a costura teria apoio de cinco partidos. PSD, PSDB e PP não escondem participação na chapa. Os outros integrantes preferem esperar a finalização das negociações para tornarem públicas suas adesões.
O terceiro cenário remete à ideia original de Hang quando cogitou concorrer ao Senado. Ele seria candidato por um partido pequeno. O cálculo político é que, dessa forma, o empresário estaria em voo solo e apto a receber apoio de mais de um candidato a governador.
Além disso, o dono da Havan ficaria livre de partilhar a derrota de um aliado. Opositores enxergam outro motivo para uma eventual escolha de partido pequeno: declaram que a opção se daria porque Hang tem por princípio manter boas relações com o governador de Santa Catarina, seja ele quem for.
A quarta e última alternativa política é não ter futuro político. O dono da Havan desistiria de ser candidato ao Senado e continuaria empresário.
Ingenuidade política
Um político catarinense envolvido nas negociações contou ao TAB, em caráter de sigilo, que se convenceu do caráter genuíno das aspirações de Hang, ao saber que o filho dele estava sendo preparado para tocar a Havan. Mas acrescentou que o empresário deu uma demonstração de ingenuidade política logo nos primeiros passos.
A ideia de ser candidato por um partido pequeno para poder receber o apoio de todos os postulantes ao governo ligados ao bolsonarismo é inviável, na avaliação desse político. O motivo é que a vaga ao Senado em qualquer chapa será entregue a um nome que agregue capital eleitoral. Por essa lógica, nenhum concorrente rifaria o próprio aliado para fazer campanha pelo dono da Havan.
O empresário também será automaticamente vinculado a um candidato ao governo, se estiver em sua chapa. Mesmo com a leitura da falta de experiência, Hang ainda é muito cobiçado pelos nomes ligados ao bolsonarismo por ser bastante próximo ao presidente.
Bolsonaro venceu com folga nos dois turnos da eleição de 2018 em Santa Catarina, obtendo 65,82% no primeiro turno e 75,92% dos votos válidos no segundo.
Discursos otimistas
Enquanto Hang permanece na Itália examinando conjecturas e cenários eleitorais, os políticos que buscam levá-lo para sua chapa fazem discursos otimistas. O prefeito de Chapecó afirma que tem amizade de longa data com o dono da Havan.
Ele disse que o prefeito de Criciúma responderá na segunda se aceita ser seu vice e projeta que o empresário se manifestará entre quarta e quinta-feira. João Rodrigues declarou que o trio seria a chapa ideal porque reúne dois prefeitos com experiência em gestão pública e um nome de sucesso na iniciativa privada.
Concorrente direto pelo apoio do dono da Havan, o senador Jorginho Mello estava otimista antes do evento marcado para 18 de março. Na ocasião, disse ao TAB que seria uma grande surpresa o empresário escolher outro caminho. A surpresa veio com o cancelamento do evento e a ida à Europa.
Mas os dois conversaram antes da viagem. Naquele 18 de março, uma sexta-feira, o empresário tomou café da manhã com Jorginho Mello. Houve foto em rede social e o dono da Havan explicou que avaliaria a situação nos dias no estrangeiro. Na ocasião, ressaltou que não estava fechado com o PP. No núcleo catarinense bolsonarista do PL, a interpretação é que informações de filiação ao Progressistas e apoio ao prefeito de Chapecó não passam de especulação.
Por enquanto, a agenda de Hang na volta ao Brasil é inaugurar uma megaloja em São Bernardo do Campo (SP) em 1º de abril. Mas os pré-candidatos ao governo catarinense sabem que haverá outro evento. Só não fazem ideia do que será anunciado.
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