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Path: Seria o streaming a salvação do audiovisual brasileiro?

Mel Lisboa na palestra "Qual é o futuro das séries no Brasil?" no Festival Path - Marcelo Justo/UOL
Mel Lisboa na palestra "Qual é o futuro das séries no Brasil?" no Festival Path Imagem: Marcelo Justo/UOL

Kaluan Bernardo

Do TAB, em São Paulo

02/06/2019 20h22

O futuro das séries no Brasil, ao que tudo indica, é brilhante. Ou, pelo menos, é uma luz no fim do túnel do audiovisual brasileiro - cada vez mais escuro à medida que leis de incentivo à cultura são atacadas. Parte da esperança vem de plataformas como Netflix, que tem dado espaço a séries nacionais como "Coisa Mais Linda", "3%" e "Samantha!".

"Aporte de dinheiro privado, sem exigência de contrapartida, é inédito no Brasil", disse Luísa Barbosa, produtora executiva das produtoras Conspiração Filmes e da Hysteria. "Esse dinheiro chega no mesmo momento em que governos ameaçam o dinheiro público da cultura", pontuou. "Ainda assim, é importante que investimentos privados e públicos coexistam - como acontece no mundo todo - para proteger as pequenas produtoras também", completou.

Além dela, estavam na palestra "Qual o futuro das séries no Brasil", do Festival Path, três dos responsáveis pelo sucesso de "Coisa Mais Linda", série brasileira que levou a bossa nova ao mundo todo pela Netflix: a atriz Mel Lisboa (uma das estrelas da série, de peças de teatro como "Dogville" e novelas e minisséries na TV aberta, como "Presença de Anita"), o diretor Hugo Prata (responsável por dois dos episódios e conhecido pelo filme e série "Elis") e o produtor e diretor Beto Gauss (produtor de "Coisa Mais Linda" e de filmes como "A Hora e a Vez de Augusto Matraga"). O Festival Path, maior evento de inovação e criatividade do país, acontece neste fim de semana na região da Avenida Paulista e, neste ano, é apresentado pelo TAB.

Beto Gauss na palestra "Qual é o futuro das séries no Brasil?" - Marcelo Justo/UOL
Beto Gauss na palestra "Qual é o futuro das séries no Brasil?"
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Histórias à brasileira

Se por um lado as produções brasileiras estão chegando a públicos no mundo todo com mais facilidade, por outro a concorrência é muito mais intensa. Em uma plataforma como a Netflix, um sueco tem a opção de escolher entre assistir a uma série de aventura norte-americana como "Stranger Things", um thriller espanhol como "La casa de Papel" ou uma comédia brasileira como "Samantha!".

Por isso, Prata acredita que, antes de tudo, é importante que uma série brasileira tenha história genuinamente nacional. "Precisamos colocar nossa cultura, nossa estética para o mundo. Seja ambientada na favela ou na alta sociedade, a série nacional tem que ter o sabor brasileiro", defende.

Lisboa concorda e diz que mesmo o público brasileiro quer mais:

Estamos exigentes com o roteiro, com a fotografia, com a atuação, com tudo. Você escolhe assistir a série brasileira e exige o mesmo padrão da britânica - às vezes até mais, já que na ausência da legenda consegue prestar mais atenção nas atuações

Embora seja mais conhecida pelos papéis na TV aberta, Lisboa diz que está mais habituada ao teatro. Ela vê com bons olhos como as séries dão espaço para inovar. Nem tão fechadas quanto o teatro e os filmes, mas nem tão abertas quanto as novelas, as séries oxigenam a criatividade no setor.

"Cada um tem uma dinâmica muito diferente. A novela é uma obra aberta, que você começa a fazer, acha que vai para um lugar e então recebe um capítulo que muda tudo e não sabe o que vem no dia seguinte. Você é muito refém da recepção do público. Já no cinema e o teatro você é mais fechado e pode desenvolver com cuidado. A série está no meio disso", afirma.

Prata comenta que os trabalhos criativos nas séries também são mais coletivos do que nos filmes. "Você tem mais de um diretor na temporada. Em 'Coisa Mais Linda' foram três diretores e três fotógrafos - cada um com seus episódios e trazendo seu conhecimento. No final a gente se encontra e vê o todo", comenta.

Ele acredita, também, que é necessário levar em conta a nova forma de consumir. Muitas vezes as séries são "maratonadas", sem espaço para as pessoas discutirem cada episódio por vez, como acontece com as semanais como "Game of Thrones", por exemplo. "É a nova forma de consumo. A Netflix quer mais que alguém acabe uma série logo para já ir para a próxima", comenta.

Além do otimismo com o futuro das séries, Glauss também acredita que serviços de streaming poderão trazer mais espaço para os filmes. "A Netflix investe em filmes independentes, a Globoplay está comprando filmes para o streaming. Às vezes você pode apresentar o projeto de um filme que se desdobra em série. Há muitas possibilidades", analisa.

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