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Diversidade para além das telas é tema do 1º dia do Festival Path Digital

Viviane Duarte, Jairo Pereira e Eliane Dias no debate ?O pós telas pretas? - Festival Path/Reprodução
Viviane Duarte, Jairo Pereira e Eliane Dias no debate ?O pós telas pretas? Imagem: Festival Path/Reprodução

Luiza Pollo

Colaboração pra o TAB

25/11/2020 08h01

No mês da Consciência Negra, na semana em que Beto Freitas, homem negro, foi morto por um segurança de um supermercado em Porto Alegre, em um ano marcado pelo movimento Vidas Negras Importam, o primeiro dia de Festival Path Digital não poderia ter sido tomado por outro tema: a luta antirracista. O evento, que ocorre de forma online e gratuita até sexta-feira (27) traz palestras, workshops e outras atrações no site https://www.pathdigital.com.br.

Pensar em inovação não é mais possível sem pensar em diversidade. "E diversidade não é assistencialismo, não é romantismo", ressaltou Viviane Duarte, jornalista, CEO e fundadora do Plano Feminino, no debate "O pós telas pretas: Vidas negras estão importando de fato?". "Pesquisas já comprovaram que trazer mais diversidade traz benefícios, evita que as empresas passem vergonha."

Consumidores mais informados, e portanto mais exigentes, são peça essencial dessa equação. No debate "Além das convergências, Vera Nunes, curadora de artes visuais da Feira Preta, analisou: "Essa demanda sai da população. Depois de muita luta, de pesquisas, a gente começa a apresentar essa demanda para as empresas, e as empresas começam a demandar que nos espaços tenha pretos, pessoas LGBTQ, pessoas com mais de 60 anos, e isso se reflete em outros espaços. Tudo isso passa pelo processo de criação e consumo. Se eu não me vejo, eu não consumo."

Ana Couto, que trabalha com comunicação para marcas a partir de propósitos, lembrou durante a palestra "Branding - Construção de Valor em 2021" de como a demanda do consumidor é essencial nesse jogo, e como o público está antenado, percebendo se a proposta de diversidade da marca vira ação ou só fica no discurso. "A marca é, faz e fala. Você não pode falar sem fazer."

O tema ainda surgiu na mesa "A casa e a cidade", sobre as tendências que a pandemia acelerou na nossa relação com espaços públicos e privados. A pesquisadora de tendências Iza Dezon e o advogado e pós-doutor em urbanismo Wilson Levy destacaram que a rua tem tudo a ver com o ativismo, mesmo quando estamos em casa. Projeções politizadas na fachada de prédios e intervenções artísticas como a frase "Vidas pretas importam", estampada na Avenida Paulista, em São Paulo, são apenas alguns exemplos.

"A rua é a casa da democracia. Mas, em uma cidade em que as distâncias são tão grandes e os tempos estão desfavoráveis, talvez a entrada da democracia num espaço virtual vá encontrar novas potencialidades e formas de aproximar as pessoas", disse Levy. Surge, portanto, a reivindicação de inclusão também no espaço virtual, com a democratização do acesso à internet e mesmo a aparelhos para se conectar.

Diego Dionísio, Vander Lins e Vera Nunes no debate 'Além das convergências' - Festival Path/Reprodução - Festival Path/Reprodução
Diego Dionísio, Vander Lins e Vera Nunes no debate 'Além das convergências'
Imagem: Festival Path/Reprodução

Apesar de importante, o ativismo não pode ficar restrito ao que é externo. O antirracismo é um movimento que precisa partir também das pessoas brancas, que muitas vezes se limitam a produzir textões ou outros posts online, lembram Viviane Duarte, Jairo Pereira e Eliane Dias, no debate "O pós telas pretas". "A luta antirracista é um movimento que começa internamente. Mas, quando a gente fala de telas, esse é um movimento externo. Se isso se cristaliza, não vai para dentro e você acha que já fez a sua parte, colocando o avatar preto no Instagram", reflete Pereira.

Pereira comenta que os brasileiros reconhecem que existe racismo no Brasil, mas nunca acham que suas próprias atitudes são racistas. Um comentário como "será que você vai dar conta desse cargo? Estou aqui se você precisar de ajuda" ou "Nossa, como você é delicada, se veste tão bem" podem parecer elogios, mas vêm carregados de preconceitos, explica Duarte. Ela não vê as mesmas observações sendo feitas a colegas brancos na mesma posição.

"Esse protagonismo negro se faz necessário porque a gente não aguenta mais esse pé no nosso pescoço", disse Eliane Dias, advogada e empresária de bandas como os Racionais MC's. "Não dá mais para a cada 23 minutos ter uma mulher negra enterrando seu filho preto. Não dá mais para a gente trabalhar três, quatro vezes mais e ganhar 75% menos que um homem branco."

Aventura, depressão e alimentação

Apesar de onipresente no primeiro dia de Path Digital, o racismo não foi o único tema. Outras mesas debateram temas como música (em "Quem foi Adoniran Barbosa?"), alimentação (em "Alimentação consciente"), positividade tóxica (em "Gratidão X depressão") e estilo de vida ("Aventura é nosso propósito de vida").

O Festival Path Digital segue até sexta-feira, 27, com 500 horas de programação e esperando atingir 10 milhões de pessoas, nesta que é sua oitava edição.

UOL TAB é parceiro do Festival Path e terá cobertura de todos os dias do evento. Acompanhe pelo nosso site e redes sociais.

Serviço

Festival Path 2020
Data: de 24 a 27 de novembro
Inscrições gratuitas e programação completa: www.pathdigital.com.br