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TAB apresenta Festival Path


Path e Finos Filmes discutem temas sensíveis em nove curta-metragens

Mostra Retrospectiva Finos Filmes no Festival Path exibiu curta-metragens brasileiros - Mariana Pekin/UOL
Mostra Retrospectiva Finos Filmes no Festival Path exibiu curta-metragens brasileiros Imagem: Mariana Pekin/UOL

Peu Araújo

Colaboração para o TAB, em São Paulo

04/06/2019 04h00

O Reserva Cultural abrigou nos dias 1 e 2 de junho a programação cinematográfica do Festival Path, que em 2019 foi apresentado pelo TAB. Em parceria - e com a curadoria - do Festival Finos Filmes, foram exibidos nove curta-metragens nacionais que discutiram, por meio de debates, política, filosofia, habitação e direitos humanos.

O premiado "Boca de Fogo", de Luciano Pérez Fernández, conta a história de um comentarista esportivo da cidade de Salgueiro, no interior pernambucano. "E", de Alexandre Wahrhaftig, Helena Grama Ungaretti e Miguel Antunes Ramos, mostra os estacionamentos da cidade de São Paulo e uma perspectiva sobre como a cidade cria esses espaços para os carros. "Edifício Tatuapé Mahal" conta a história de Javier Juarez Garcia, um boneco de maquete de empreendimento imobiliário. "Fotograma", de Luís Henrique Leal e Caio Zatti, também aborda a vida cotidiana a partir de uma imagem e apresenta cenas de um passado escravocrata brasileiro. O último filme foi "Quando o Céu Desce ao Chão", dirigido por Marcos Yoshi, que conta a história de uma atriz/cozinheira que não sabe se casa ou se compra uma bicicleta.

Felipe Poroger, curador do festival e das sessões do Path, conta um pouco como foi o processo para o primeiro dia:

As propostas no sábado e no domingo foram diferentes. No sábado foi uma sessão de retrospectiva do Finos Filmes, ou seja, eu peguei um filme de cada uma das cinco primeiras edições e a ideia era mostrar um pouco das possibilidades do formato curta-metragem, como os temas foram tratados, suas vontades de contar histórias, suas observações do mundo. A preocupação era realmente mostrar esses potenciais, sejam histórias de relacionamentos, histórias que falam sobre aspectos urbanos ou que falam dos problemas sociais no Brasil

O segundo dia de programação coroou os filmes que se destacaram no Finos Filmes na edição de 2019. Poroger explica os critérios:

No domingo, era uma sessão da útima edição do Finos Filmes, que encarna um pouco o espírito do festival, que é trazer filmes que, para além da excelência técnica cinematográfica, também se preocupam com questões importantes contemporâneas do Brasil

O curador fala um pouco ainda sobre a parceria:

Eu fiquei bastante impressionado e feliz com a quantidade de gente circulando pelo Path, o que faz que seja realmente um grande evento, de muita relevância nacional. É muito bom estar vinculado a esse festival. Estamos em consonância com o que o festival parece querer fazer na pluralidade dos debates

A sessão foi aberta com o sensível "O Órfão", de Carolina Markowicz, que conta a história de Jonathas, interpretado por Kauan Alvarenga, um adolescente que vive em um orfanato à espera de uma família. "Estamos Todos Aqui", de Chico Santos e Rafael Mellim, conta a história de Rosa Luz, uma adolescente trans que, expulsa de casa, vive numa área de risco na cidade de Santos. "Mona", de Luiza Zaidan e Thiago Schindler, conta a história de Ágatha, uma moradora de rua da região da Avenida Paulista - a partir de sua história, o filme discute, com muita delicadeza e cuidado, a situação dos gays, travestis e transexuais em situação de rua. O último curta do domingo foi "Mais Triste Que Chuva Num Recreio De Colégio", do cineasta carioca Lobo Mauro, que mescla imagens da reforma do Maracanã com discursos políticos e a narração de Galvão Bueno no 7 a 1 contra a Alemanha.

A possibilidade de ter um festival como o Path abrindo espaço para o curta-metragem brasileiro é fundamental para ter uma diversidade maior na sala de cinema. Para abrir espaço para uma produção independente, mais experimental, com maior liberdade de exercitar a linguagem e conseguir tocar em temas que nem sempre conseguem atingir um público grande com questões ligadas a direitos humanos, um espaço grande para o documentário que nos circuitos comerciais a gente nem sempre encontra

Luiza Zaidan, codiretora de "Mona", que passou meses com pessoas em situação de rua para dirigir o curta

"MONA" (2019) - Trailer from A Fúria Filmes on Vimeo.

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