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Pesquisa diz que brancos vão mais a museus, e negros, a shows de música

Tiago Dias

Do TAB, em São Paulo

23/07/2019 04h00

A desigualdade racial no país traz ecos na forma como o brasileiro consome cultura. Enquanto brancos acessam mais cinemas, museus e teatros, os negros vão mais a shows de música, festas populares e espetáculos de dança. É o que mostra o levantamento sobre o comportamento cultural dos brasileiros feito pela consultoria J.Leiva com mais de 10 mil pessoas em 12 capitais de todas as regiões do país. A pesquisa é destaque da primeira edição da série TAB Explica, que estreou ontem com o episódio A cultura segundo os brasileiros.

O estudo também mostrou que o nível de escolaridade tem peso significativo no nosso comportamento cultural. Quem é da classe C e cursou universidade vai mais a atividades culturais do que os da classe A e B com ensino médio.

Apesar disso, o antropólogo Hélio Menezes observa que renda e escolaridade são questões indissociáveis, o que ajuda a explicar a pouca variação entre os percentuais de consumo entre os brancos e negros de forma geral. "Nos últimos anos, vimos um crescimento da renda da população negra e o crescimento igualmente vertiginoso de pessoas negras nas universidades", observa. "Maior escolaridade e ascensão de classe, esses dois fatores vão igualmente explicar o maior consumo da população negra."

A pesquisa seguiu a metodologia adotada pelo IBGE, segundo a qual o próprio entrevistado declara sua cor. Sendo assim, a maioria dos entrevistados se declarou de cor parda (45%), enquanto os pretos foram 19%.

A maior diferença em favor de pretos e pardos ocorre em eventos de dança, festas populares, shows de música, blocos de carnaval e saraus - manifestações comumente associadas à identidade étnica e com maior facilidade de produção e acesso. Enquanto isso, os museus e teatros ainda podem ser vistos como atividades caras e marcadamente mais elitistas. "São espaços que inibem muitas vezes a presença de pessoas negras porque são espaços marcados por uma lógica de racismo", explica o antropólogo.

Ainda assim, os pretos se interessam mais por fazer cursos culturais do que brancos, em todas as categorias, com maior destaque para música (pretos 37%, brancos 26%).

A oferta de equipamentos culturais também deve ser levada em consideração, em especial em espaços periféricos. Dentro da pesquisa, feita apenas nas capitais, já há diferenças gritantes. Enquanto São Paulo tem 54 bibliotecas públicas, São Luís tem apenas uma.

"[Devemos] aproveitar a potencialidade que as atividades gratuitas têm de atrair um público brasileiro que não tem colocado a cultura como prioridade em seus gastos e, nesse espaço, realizar debates sociais que são importantes para nosso país", observa Menezes.

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