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Como nos filmes: cientistas conseguem criar memórias artificiais

No filme "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", cientistas conseguem apagar memórias - Reprodução
No filme "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", cientistas conseguem apagar memórias Imagem: Reprodução

Do TAB

Em São Paulo

03/09/2019 15h54

Neurocientistas canadenses e estadunidenses conseguiram criar memórias artificiais em ratos transgênicos. Ao estimular determinados neurônios, os pesquisadores desenvolveram memórias de fatos que nunca aconteceram com os animais. Os resultados foram publicados na revista científica Nature.

Ao revelar que memórias podem ser dissociadas de experiências reais, a pesquisa ajuda a entender como memórias se formam e como é possível, no futuro, alterar ou mesmo apagar memórias, uma coisa que só acontecia em filmes de ficção até agora.

A pesquisa revelou que o estímulo elétrico em determinadas partes do cérebro ajuda a criar memórias.

Em estudos anteriores, cientistas também conseguiram transferir memórias de um roedor ao outro ao repetir padrões de estímulos elétricos no cérebro.

Há também estudos que apontam para um futuro de modificação das memórias em humanos.

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa (Darpa, na sigla em inglês) desenvolve pesquisa sobre como usar estímulos elétricos para melhorar a memória de seres humanos.

Uma droga chamada peptídeo zeta-inibidor promete apagar memórias traumáticas, como no filme "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças".

No entanto, isso tudo ainda é realidade distante. Como a pesquisa publicada na Nature revela, ainda é necessário apelar a métodos muito invasivos nos animais para conseguir modificar suas memórias. No entanto, como o neurocientista Robert Martone menciona na revista Scientific American, tais avanços levantam a necessidade de debates.

Se por um lado tais estudos podem nos ajudar a curar doenças como Alzheimer, por outro modificar demais as memórias humanas pode alterar nossas identidades.

Como funcionou o estudo

No estudo, os pesquisadores treinaram ratos para associar o odor de cerejeiras com um choque no pé.

Em seguida, eles usaram uma técnica chamada optogenética. Implantaram fibras ópticas nos cérebros dos ratos para estimular proteínas relacionadas ao olfato, mas que são sensíveis à luz.

Desta forma, eles ativavam olfato do rato para, artificialmente, associar o odor de cerejeira ao trauma.

Em uma segunda etapa do estudo, os pesquisadores tentaram entender se era possível criar uma memória completamente do zero.

Para isso, os cientistas precisavam estimular uma parte do cérebro conhecida como área tegmental ventral para causar a sensação de choque em animais que nunca haviam tomado choque. Combinando essa técnica com a anterior, eles conseguiam fabricar nos ratos associação de um choque que não levaram com um odor que não sentiram.

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