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É possível estar doente e ser saudável ao mesmo tempo?

Novos paradigmas da saúde: é possível estar doente e ser saudável ao mesmo tempo? - Iwi Onodera/UOL
Novos paradigmas da saúde: é possível estar doente e ser saudável ao mesmo tempo? Imagem: Iwi Onodera/UOL

Matheus Pichonelli

Colaboração para o TAB, em São Paulo

02/06/2019 16h49

Saúde é um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade. A busca em atingir a completude definida pela Organização Mundial da Saúde, porém, pode também nos tornar doentes.

É o que afirma médica e fundadora da LifeDoc, Andressa Gulin. Ao lado de Levi Girardi, CEO e cofundador da Questtonó - consultoria de design e inovação - ela conversou com o público do Festival Path na palestra "Novos paradigmas da saúde: é possível estar doente e ser saudável ao mesmo tempo?" O Path é o maior evento de inovação e criatividade do país e, neste ano, é apresentado pelo TAB.

A médica Andressa Gulin participou da palestra "Novos paradigmas da saúde" no Festival Path - Iwi Onodera/UOL
A médica Andressa Gulin participou da palestra "Novos paradigmas da saúde" no Festival Path
Imagem: Iwi Onodera/UOL

No encontro, os especialistas defenderam que saúde vai além do consultório. "É o sistema que precisa entrar na vida do paciente, ou das pessoas, ou de quem está envolvido no processo", resumiu a médica. Segundo ela, hoje em dia quem diz se está doente ou não é o próprio paciente. "Posso experimentar a doença sem ter a doença de verdade. E há casos em que a doença pode ser grave, mas as formas como a pessoa lida com a doença vão determinar como ela vai se sentir."

Fica então a pergunta: Dá para ser saudável sendo doente ou doente sendo saudável? Para Andressa, dá sim. O desafio é, portanto, fazer com que o médico se adapte ao contexto do paciente. "Sou formada para tratar pessoas sob um ambiente hermético de controle, que não remete à vida real", disse.

Levi Girardi trouxe à discussão o caso de um aparelho capaz de diagnosticar distúrbio de sono de apneia - mais barato e menos invasivo do que um exame de polissonografia, segundo ele.

Andressa, por sua vez, falou de uma iniciativa que engajou 600 depiladoras para reconhecer sinais de possíveis doenças nas vaginas das mulheres. "As pessoas vão mais na depiladora do que na ginecologista", explicou. Ela citou ainda que atendentes de bar podem ajudar a detectar clientes com alcoolismo. "Todo mundo é responsável por saúde", resume a médica.

Levi Girardi, CEO e co-fundador da Questtonó, consultoria de design e inovação  - Iwi Onodera/UOL
Levi Girardi, CEO e co-fundador da Questtonó, consultoria de design e inovação
Imagem: Iwi Onodera/UOL

Segundo os especialistas, o desafio é pensar em mudanças na cultura do atendimento a partir de uma nova perspectiva, que coloque o ser humano no centro do processo. "O hospital é um ambiente para curar. Mas não é um ambiente saudável", afirma Girardi.

Na era das experiências, porém, Andressa pondera que não é possível oferecer "aquele famoso 'momento uau'" ao paciente quando o assunto é saúde.

Para ela, proporcionar uma boa experiência ao paciente não significa fazê-lo sorrir, e sim dar o que ele precisa respeitando o que ele deseja. "Quando tenho paciente doente", continuou a médica, "o que ele quer é uma relação, um ritual de cuidado, onde ele jamais vai ser perdido. Isso é ancestral e inerente do ser humano. Não existe civilização no mundo que não tenha a figura de um cuidador."

Ela lembrou ainda que essa relação requer também confiança, construída a partir de transparência e de comprometimento. "Isso significa: 'não é preciso que você me cure, mas que você esteja lá comigo'. Isso não tem tecnologia que substitui. Ferramenta não cuida."

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