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Aos 91 anos, Andy Warhol viveria no Instagram e seguiria Kim Kardashian

Andy Warhol fotografado por Fred McDarrah em 1964 - Fred McDarrah/Getty Images
Andy Warhol fotografado por Fred McDarrah em 1964 Imagem: Fred McDarrah/Getty Images

Do TAB, em São Paulo

06/08/2019 17h04

Conhecido por usar a iconografia popular como matéria-prima, Andy Warhol via arte em tudo - de peças publicitárias de aparelhos domésticos ao cotidiano ordinário das pessoas. Seu olhar conseguia capturar a essência desses assuntos e jogava luz ao legado cultural das coisas mais mundanas. Warhol completaria 91 anos hoje (6) e certamente teria uma conta no Twitter, atualizaria diariamente seu perfil no Instagram e seguisse a mesma influenciadora que você.

É o que garante Eric Shiner, diretor do Museu Andy Warhol, que sempre afirmou: "Ele seria fascinado por Lindsey Lohan, pelas irmãs Kardashian e Lady Gaga. E veria religiosamente 'The Real Housewives of Beverly Hills', porque lhe seduzia o mundo dos famosos e seu lado mais escuro", explicou à EFE.

Andy Warhol em 1960 fotografado por Weegee. É da fase das fotos "distorções". "[São] retratos feitos com a experiência de vidro curvo, papel fotográfico e uma chama. Aqui parece perfeitamente apropriado que Warhol seja processado através do filtro subversivo de Weegee - um comentário sobre o conceito de fama e celebridade que Warhol certamente deve ter aprovado plenamente", diz Bob Ahern, diretor do arquivo da Getty Images - Weegee/Getty Images
Andy Warhol em 1960 fotografado por Weegee. É da fase das fotos "distorções". "[São] retratos feitos com a experiência de vidro curvo, papel fotográfico e uma chama. Aqui parece perfeitamente apropriado que Warhol seja processado através do filtro subversivo de Weegee - um comentário sobre o conceito de fama e celebridade que Warhol certamente deve ter aprovado plenamente", diz Bob Ahern, diretor do arquivo da Getty Images
Imagem: Weegee/Getty Images

Mais do que as famosas latas de sopas de tomate Campbell (1962) ou as impressões coloridas de Marilyn Monroe, Warhol talvez seja mais lembrado pela forma como vislumbrou o cenário midiático do século 21. Sua previsão foi cravada pela primeira vez em uma exposição de seu trabalho em Estocolmo, na Suécia, em 1968: "No futuro todos serão mundialmente famosos por 15 minutos".

Por conhecer tão bem os tabloides e os paparazzi, instintivamente compreendeu o apetite voraz da mídia (e das pessoas) pelo novo e imaginou que os avanços na comunicação aumentaria a demanda em um nível nunca antes imaginado.

Andy Warhol em festa de Ano Novo em Nova York, 1978. "No final dos anos 70, todos queriam festejar no Studio 54 de Nova York. E nessa foto é como se uma velha pintura de mestre ganhasse vida quando ela captura perfeitamente Warhol, Halston, Bianca Jagger, Liza Minelli e amigos", diz Bob Ahern - Robin Platzer/Getty Images
Andy Warhol em festa de Ano Novo em Nova York, 1978. "No final dos anos 70, todos queriam festejar no Studio 54 de Nova York. E nessa foto é como se uma velha pintura de mestre ganhasse vida quando ela captura perfeitamente Warhol, Halston, Bianca Jagger, Liza Minelli e amigos", diz Bob Ahern
Imagem: Robin Platzer/Getty Images

Um processo que não foi totalmente entendido até o surgimento da internet e da primeira edição do Big Brother no Reino Unido, em 2000, o primeiro programa a colocar pessoas comuns em frente à câmera. Assim como ele fizera em 1963, no filme experimental "Sleep", em que documentava seu amante na época, John Giorno, e suas cinco horas e 20 minutos de sono.

Mas é 2019 e o mundo do YouTube, Instagram e TikTok já está pulverizado. Warhol efetivamente previu esse mundo online de memes virais e influenciadores de Instagram e YouTube a que estamos mergulhados mais de 50 anos depois.

Warhol fotografa modelo Apollonia von Ravenstein em 1982. "As imagens instantâneas que a câmera produziu foram usadas para fazer as famosas serigrafias de Warhol e o fotógrafo Mark Sink se tornaria um amigo de longa data de Warhol", conta Ahern - Mark Sink/Getty Images
Warhol fotografa modelo Apollonia von Ravenstein em 1982. "As imagens instantâneas que a câmera produziu foram usadas para fazer as famosas serigrafias de Warhol e o fotógrafo Mark Sink se tornaria um amigo de longa data de Warhol", conta Ahern
Imagem: Mark Sink/Getty Images

Hoje, faz parte do nosso cotidiano referências instantâneas, em que vidas e talentos (ou a falta de) são degustados, devorados (e às vezes regurgitados) em uma velocidade impressionante. No fim, o legado de Wahrol vai muito além das suas obras.

"Não só seu legado está cada vez mais consolidado em termos artísticos, mas muitos recuperam também sua faceta como inovador social", explicou o diretor do museu.

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