Avião da FAB decola rumo a Varsóvia e busca mais de 60 pessoas e seis cães

Emocionado pela chance de viajar a Varsóvia, na Polônia, acompanhado de 13 colegas militares e mais um médico especialista em protocolo sanitário, para resgatar brasileiros e refugiados ucranianos que tentam escapar da guerra, o loadmaster (mestre de carga) e suboficial da FAB (Força Aérea Brasileira) Otoniel dos Reis diz estar honrado com a convocação.
"A missão de ajudar brasileiros nessas condições é um privilégio para nós. Estamos viajando com muita vibração e com muito orgulho no coração", diz Reis, antes de continuar carregando parte da carga no interior da aeronave.
Não é a primeira vez que o suboficial é escalado para atuar em missões assim. Ele esteve recentemente no Haiti [para ajudar as vítimas do terremoto em 2021] e no Líbano para entregar doações do governo brasileiro aos sobreviventes de uma explosão na zona portuária de Beirute, em 2020.
Além de repatriar 40 brasileiros residentes na Ucrânia que oficializaram o desejo de retornar ao Brasil, o governo promete resgatar 23 ucranianos e um polonês, que já conseguiram visto humanitário para desembarcar em solo brasileiro na próxima quinta-feira (10).
Também serão trazidos seis cachorros, pertencentes a essas famílias. Seus donos foram dispensados pelo governo brasileiro de apresentarem o Certificado Veterinário Internacional. Até o momento, não há previsão de uma segunda missão no curto prazo.
Toneladas de doações
O KC-390 Millennium é considerado o maior avião militar desenvolvido e fabricado no Hemisfério Sul. A aeronave decolou às 15h14 de segunda-feira (7) da Base Aérea Brasileira, em Brasília. A bordo do avião, além da tripulação, estão sendo transportados 11,6 toneladas de donativos — nove toneladas de alimentos desidratados, o equivalente a cerca de 360 mil refeições — meia tonelada de insumos essenciais e itens médicos doados pelo Ministério da Saúde e, por último, 50 purificadores de água com capacidade para tratar, aproximadamente, 300 mil litros de água diariamente.
A imprensa teve acesso ao hangar às 13h30, mas era constantemente afastada por oficiais militares e impedida de conversar com os tripulantes. A decolagem foi acompanhada por autoridades da Aeronáutica, Exército e Marinha e pelos ministros da Defesa, general Braga Netto; da Saúde, Marcelo Queiroga; e da Justiça e da Segurança Pública, Anderson Torres, que chegou ao evento às 14h40.
"Historicamente, nossa gente se mostra solidária à situação de vida com os povos irmãos em dificuldade. Temos o histórico e o sacerdócio de levar calor humano e amenizar a dor das pessoas em situação de conflito ou calamidade. E seguindo as diretrizes do presidente Bolsonaro, de que ninguém ficará para trás, foi desencadeada essa ação", destacou Braga Netto, o único do governo a discursar no hangar do GTE (Grupo de Transporte Especial) da Base Aérea Brasileira.
Escalas pelo caminho
O governo brasileiro tem sido alvo de críticas pelo tempo que levou para anunciar um plano de repatriação e também por não ter calculado ou alertado os brasileiros que residiam na Ucrânia sobre a possibilidade de guerra entre Rússia e Ucrânia.
No discurso, Braga Netto resolveu enfatizar a abertura de dois postos de atendimento consular para facilitar a assistência aos brasileiros, um deles em Lviv, situada próxima à fronteira com a Polônia, para onde a maioria dos brasileiros têm se dirigido. A segunda unidade de apoio fica em Chisinau, capital da Moldávia.
Antes de pousar em território polonês, cuja chegada está prevista para quarta-feira (9), a aeronave terá de realizar três paradas técnicas: uma em Recife, outra na Ilha do Sal (Cabo Verde) e a última em Lisboa.
O avião usado para a missão pode carregar até 20 toneladas. Tem 35 metros de comprimento e 11 metros de altura e pode voar, se estiver vazio, a uma velocidade de 850 quilômetros por hora.
Fabricado pela Embraer, o primeiro KC-390 Millennium foi entregue à Força Aérea Brasileira em setembro de 2019. Hoje a FAB possui cinco cargueiros do mesmo modelo. Esse foi o tipo de aeronave usada para o transporte de insumos e de cilindros de oxigênio durante o auge da pandemia em Manaus.
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