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Como 'especialistas' em mega-assaltos bolaram ataque em Araçatuba (SP)

Todos os criminosos que planejaram e participaram da tentativa de um dos maiores roubos da história do Brasil, na madrugada de 30 de agosto de 2021, em Araçatuba (SP), eram integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), diz a Polícia Federal.

Mais do que isso: muitos dos envolvidos tinham uma reincidência específica, roubo a banco, diz ao UOL o delegado da PF Cristiano Pádua.

Segundo ele, o grupo era especializado na ação.

"Eles já haviam sido presos, soltos e estavam novamente operando. E mesmo alguns que conseguiram escapar foram presos posteriormente, já preparando roubos semelhantes em outros locais", afirma.

Normalmente, crimes chamados de "domínio de cidades", como o que ocorreu em Araçatuba, são orquestrados individualmente. Quem planeja pode até ser integrante de uma organização criminosa, mas a ação em si não é conduzida por ela.

No caso de Araçatuba, a Polícia Federal entende que houve, sim, organização do PCC. A avaliação considerou o alto número de integrantes presos e o padrão de organização.

Cristiano Pádua, delegado da Polícia Federal
Cristiano Pádua, delegado da Polícia Federal Imagem: Reprodução/Documentário 'Cidade Dominada'

A ação foi financiada por membros do PCC, diz o delegado, com pagamento a criminosos que executaram o roubo, o que não costuma ser comum. "Eles forneceram valores em dinheiro e depois distribuíram."

Quinze carros blindados foram usados. O armamento era de guerra, incluindo metralhadora calibre 50. Tudo foi financiado pela facção. O planejamento durou entre 5 e 6 meses, com levantamento de informações e mapeamento de pontos vulneráveis. As informações são da PF.

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Segundo a polícia, havia núcleos de financiadores e executores. Um grupo, por exemplo, se dedicou a obter, de forma fraudulenta, veículos em locadoras.

A Polícia Federal aponta ainda a existência de um segmento de explosivistas, que ficaram responsáveis pela guarda e aquisição de armamentos. Dos 39 criminosos que pegaram em armas naquele dia, só um está foragido. O número total de presos é de 53.

"Desses 53, grande parte é de executores. Mas também há outros que deram apoio logístico ou para aquisição, guarda, entre outras funções", afirmou Pádua.

Os criminosos foram identificados por impressões digitais, com marcas em pontas de cigarros e até em tampas de iogurte, deixadas na cena do crime e em locais onde se prepararam.

"Considerando o porte de Araçatuba, o número de criminosos, quantidade de explosivos e a utilização de vítimas como escudo humano, considero esse um dos maiores e mais violentos crimes do Brasil", avalia o delegado da Polícia Federal.

Praça onde ocorreu epicentro do mega-assalto em Araçatuba
Praça onde ocorreu epicentro do mega-assalto em Araçatuba Imagem: Reprodução/Documentário 'Cidade Dominada'
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O PCC e os domínios de cidades

O promotor Lincoln Gakiya, que vem acompanhando as mudanças da facção paulista, diz que a atuação dela vai muito além do tráfico de drogas para a Europa. A participação em roubos a empresas de grupos de valores e bancos virou uma constante.

"Foram dezenas de episódios desde então. E a maioria deles com envolvimento de importantes integrantes do PCC. Normalmente, o valor obtido em grandes roubos vai para a facção. E praticamente quase todo o dinheiro é retroalimentado no tráfico internacional."

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