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'Gianecchini do Crime': influencer nas redes, assaltante de banco à noite

Tiago Ciro Tadeu Faria, 41, ficou conhecido nacionalmente quando invadiu a apuração do Carnaval de São Paulo de 2012 e rasgou notas de jurados antes da divulgação dos pontos do último quesito. Ele usava a camiseta da escola Império de Casa Verde e foi detido pela PM.

Anos depois, a polícia descobriu que ele tinha envolvimento em vários roubos a banco no país. Mas não eram ataques comuns.

Tiago, que ganhou o apelido de "Gianecchini do Crime", é apontado como um dos líderes de um grupo especializado em ações de extrema violência que paralisam e levam terror a municípios. O ataque é chamado de "domínio de cidades".

Segundo as polícias Civil e Federal, ele participou do mega-assalto de Botucatu (SP) em julho de 2020 e também de ações do gênero em Ourinhos e Bauru. A maneira que amarra artefatos explosivos é descrita como marca registrada.

Tiago, que ostentava uma vida luxuosa de influencer nas redes sociais, foi preso em setembro de 2020 na capital paulista. Condenado a 51 anos de prisão pelos crimes, ele hoje cumpre pena no presídio federal de Catanduvas (PR).

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Imagem: Daniel Neri via AI/Arte UOL

Domínio de cidade em Bauru

Às 2h40 de 5 de setembro de 2018, Gianecchini encabeçou, segundo a polícia, um domínio de cidade em Bauru (SP). Ele explodiu uma agência da Caixa Econômica Federal na rua Gustavo Maciel, no centro da cidade.

O roubo, no entanto, deu errado, e a PM reagiu rapidamente. O dinheiro não foi levado, ninguém ficou ferido e nenhum criminoso foi identificado.

PMs localizaram em Rio Claro (SP) o local onde os criminosos estariam antes do assalto. Lá, em uma garagem, acharam vestígios de terra proveniente de um Audi Q3 usado no ataque.

Também encontraram uma etiqueta de um Mitsubishi Pajero TR4, utilizado na tentativa de assalto.

No sótão da casa havia lanternas de fixação em cabeça, explosivos, carregador de fuzil e cápsulas de armamento de grosso calibre (556 e 7,65). A polícia ainda encontrou R$ 45 mil em espécie com os donos da casa.

Câmeras de segurança de casas próximas do local comprovaram que os dois carros usados no crime ficavam estacionados naquele terreno.

O DNA de Gianecchini foi localizado em dois dos objetos encontrados naquele crime, segundo a perícia: em uma balaclava que estava em um dos carros e em um fragmento de papel de guimba de cigarro localizado em uma segunda casa onde os criminosos permaneceram antes do crime, também em Bauru.

O perfil genético dele foi inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos no dia 15 de junho de 2020. Ele afirmou que a coleta do DNA foi feita à base de ameaças.

A polícia cruzou informações e identificou o DNA de Tiago em uma embalagem de bebida apreendida em um roubo a banco em Lajes (RN), em 2017. Ele nega participação tanto em Bauru quanto no Rio Grande do Norte.

Tiago Ciro Tadeu Faria, o "Gianecchini do Crime", que em 2012 rasgou notas de jurados durante a apuração do Carnaval de SP
Tiago Ciro Tadeu Faria, o "Gianecchini do Crime", que em 2012 rasgou notas de jurados durante a apuração do Carnaval de SP Imagem: Reprodução

Domínio de cidade de Botucatu

A Polícia Civil afirma que Gianecchini comandou um ataque na cidade às 23h de 29 de julho de 2020, com cerca de 30 homens fortemente armados. O alvo foi um Seret (Setor de Retaguarda e Tesouraria) do Banco do Brasil.

Tiago Faria foi acusado de atuar no planejamento e financiamento da ação, sendo responsável por adquirir cilindros de oxigênio e respiradores utilizados no assalto. Ele teria ido a Ourinhos, que fica na região, meses antes do crime.

Os ladrões abandonaram objetos usados na ação, como coletes, roupas e cilindros de oxigênio com máscara e respirador no local do roubo.

Ele afirmou em depoimento, porém, que no dia do crime estava na Mooca, zona leste da capital paulista, na casa do pai de um amigo que nunca foi ouvido.

Segundo a polícia, a compra dos cilindros foi feita por meio de um intermediador identificado como Pablo, de quem Gianecchini era amigo havia 30 anos. Pablo afirmou à polícia que adquiriu os cilindros a pedido, sem saber para que ele precisava dos objetos.

Imagem ilustrativa de Tiago Ciro Tadeu Faria, o "Gianecchini do Crime"
Imagem ilustrativa de Tiago Ciro Tadeu Faria, o "Gianecchini do Crime" Imagem: Arte UOL

Domínio de cidade de Ourinhos

Em maio de 2020, Tiago Faria ajudou a comandar outro ataque, ao Banco do Brasil em Ourinhos, segundo a PF. R$ 52 milhões foram levados na ocasião.

A acusação contra ele é a mesma usada em Botucatu: a compra dos cilindros, por meio do amigo de infância, localizados na cena do crime.

O que diz a defesa: o UOL conversou com uma familiar de Tiago, que disse que ele só aceitaria ceder entrevista se o material o retratasse exclusivamente, sem inclusão de demais acusados e condenados.

Ele negou à Justiça o envolvimento nos crimes e se disse vítima de perseguição.

As ações dos "estrelas" são o tema da segunda parte do documentário "Cidade Dominada". Assista à íntegra acima.

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