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Inovação do Brasil está na periferia, diz palestrante do festival Path

O barbeiro e cabeleireiro Peterson Henrique é um empreendedor do Capão Redondo - Jeferson Delgado/UOL
O barbeiro e cabeleireiro Peterson Henrique é um empreendedor do Capão Redondo Imagem: Jeferson Delgado/UOL

Jeferson Delgado

Colaboração para o TAB, em São Paulo (SP)

15/05/2019 04h01

Quando o assunto é empreendedorismo, que tipo de negócio é o primeiro que vem na sua cabeça? De onde ele vem? Para esclarecer essas perguntas, trocamos um papo com Camila Vaz, produtora audiovisual e educadora desde 2004. Ela começou sua jornada de projetos sociais e comunicação quando ainda estava no colégio. Hoje, atua na Escola de Notícias, uma organização que faz um corre no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, com o propósito de formar jovens de baixa renda nas áreas de comunicação e serviços de educação.

Camila será uma das palestrantes do Festival Path que rola nos dias 1 e 2 de junho (confira programação). O tema da palestra será "Favela e asfalto: batendo um sincerão com empreendedores de base", em uma mesa que será composta por mais uma galera que manja do assunto: Betânia Pontelo, João Souza e Hércules Laino.

TAB apresenta o Festival Path 2019, o maior e mais diverso evento de inovação de criatividade do Brasil. Saiba mais e participe.

Veja a programação completa

Camila Vaz trocou um papo com a gente sobre suas correrias com a Escola de Notícias, empreendedorismo e realizações pessoais ao longo desses anos. "Nossa maior questão envolvendo negócios na quebrada não é lançar um negócio, mas mantê-lo." Assim Camila já vai direto ao ponto quando o assunto é a dificuldade dos negócios na periferia. "Eu me considero uma pessoa empreendedora, porque acredito que empreendedorismo é gerar movimento externo e interno ao mesmo tempo, quando a gente está pensando em maneiras diferentes de conseguir pensar em um projeto, lançar e viver desse projeto."

A educadora Camila Vaz atua na Escola de Notícias, projeto com sede no Campo Limpo, periferia paulistana - Divulgação
A educadora Camila Vaz atua na Escola de Notícias, projeto com sede no Campo Limpo, periferia paulistana
Imagem: Divulgação

A temática da palestra que Camila irá participar envolve também a inovação nos negócios das quebradas. "Eu acredito que grandes projetos sempre saíram da periferia, os arranjos colaborativos sempre foram da periferia. É o trabalho da ponta, saca? A periferia é um centro de coisas pipocando o tempo inteiro, tudo acontecendo a todo momento, é um campo muito fértil, que independente da dificuldade as coisas vão surgir."

A inovação dos comércios nas periferias vem de todos os lados, seja no visual com cortes de cabelo ou até no principal palco de diversão, os famosos bailes funk, que movimenta dinheiro, diversão e afetos entre becos e vielas, Hoje, a comunicação também pode ser vista como negócio para as pessoas da periferia, e Camila acredita nisso, "Com absoluta certeza, acredito nisso. Nos últimos dois anos, teve um aumento de coletivos, projetos de comunicação de forma geral, jornalismo, cinema, criação gráfica, que nascem na periferia, feito por pessoas de periferias, até a escola de notícias".

Para somar mais ainda no papo, troquei uma ideia com um cara que representa bastante o aspecto de empreendedor da base. Peterson Henrique, 30, mais conhecido como Pepé Barbeiro, está no ramo dos cortes de cabelo de quebrada há 10 anos. Sendo um dos principais empreendedores do Capão Redondo, Pepé é visto por muitos como inspiração, seja por sua correria e evolução no ramo das barbearias ou por acreditar em projetos sociais na sua área.

De uma pequena barbearia no seu bairro, hoje Peterson conseguiu montar uma grande barbearia com outros três profissionais, "Evolui o meu comércio foi para trazer melhoria para quebrada, o cara não precisa ir no outro lado da cidade pra cortar o cabelo com qualidade, bom atendimento, estabelecimento bem organizado, trouxe tudo isso pra cá", comenta Peterson sobre sua evolução no estabelecimento. "Pouco tempo atrás, o pessoal se matava por um salário mínimo, alguns perceberam que empreendendo na própria quebrada, conseguia ganhar muito mais. O país não proporciona uma renda bacana para um pai de família, então, empreender na garagem de casa é a solução para muitos."

Peterson também retorna tudo que seu entorno proporcionou. O barbeiro reúne diversos outros profissionais de beleza todo o dia 12 de outubro, o dia das crianças, e corta o cabelo da galera que não tem condição. Tudo na faixa. Recentemente Pepé promoveu um workshop em sua barbearia para outros profissionais aprimorarem seus conhecimentos. Um jovem que cumpre medida socioeducativa esteve presente, mesmo sem poder pagar pelo workshop. Pepé fez questão que o jovem estivesse presente e ainda está coletando materiais de trabalho para o jovem poder seguir em um novo futuro. "Eu amo criança, quanto mais você trazer o futuro para o bom caminho, o caminho do trabalho, atitudes positivas, a tendência é só progresso para todos, temos que ser espelho para elas".

O cabeleireiro Peterson Henrique começou com um salão pequeno e agora tem três funcionários - Jeferson Delgado/UOL
O cabeleireiro Peterson Henrique começou com um salão pequeno e agora tem três funcionários
Imagem: Jeferson Delgado/UOL

Independentemente do empreendimento, na quebrada a galera está em busca de progresso e melhoria, seja pela comunicação e educação como Camila Vaz, ou no ramo de beleza como Pepé Barbeiro do Capão Redondo.

Não se esqueça de se programar para o Festival Path, que acontecerá dias 1 e 2 de junho, que pela primeira vez em seis anos, desembarca na Avenida Paulista e ocupa espaços icônicos da região para realizar suas atividades.

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