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TAB apresenta Festival Path


Na era dos streamings, conceito de álbum está sendo abolido

Augusto Olivani, o DJ Trepanado, fala sobre sons analógicos no Festival Path 2019 - Letícia Naísa/UOL
Augusto Olivani, o DJ Trepanado, fala sobre sons analógicos no Festival Path 2019 Imagem: Letícia Naísa/UOL

Letícia Naísa

Do TAB, em São Paulo

02/06/2019 22h04

No bairro da Mooca, em São Paulo, há um casarão tradicional que abriga milhares de discos de vinil. O ponto na zona leste da cidade é frequentado por muitos colecionadores e apreciadores do som na agulha em pleno século 21. O DJ Augusto Olivani, conhecido no meio como DJ Trepanado, fundador da festa Selvagem e do selo Selva Discos, é um dos que passa horas garimpando as fileiras de álbuns do casarão.

O gosto e a busca pelo som analógico em meio à era dos streamings foi um dos temas apresentados neste domingo (2) no Festival Path, o maior festival de inovação e criatividade do país. O evento aconteceu neste fim de semana na região da Avenida Paulista em São Paulo e, neste ano, foi apresentado pelo TAB.

No mundo digital, o seu gosto passa a ser moldado pelo algoritmo e pela inteligência artificial

DJ Augusto Olivani

Pode parecer perda de tempo ir atrás de um disco físico quando há tantos sons ao alcance da palma da mão nos serviços de streaming. Para Olivani, no entanto, o hobby faz parte do que ele chamou de estética do erro.

"No mundo digital, o seu gosto passa a ser moldado pelo algoritmo e pela inteligência artificial, mas o que nos faz humanos é o erro e não o acerto", afirma. "No mundo analógico, às vezes você descobre coisas que não são as preferidas dos fãs, não fizeram tanto sucesso, mas te agradam, mesmo sendo algo considerado errado ou menor na época em que saiu."

Fim da história

Tanto o buscar novos sons quanto ouvi-los é um hábito que foi afetado pelo mundo digital. "No computador, a gente faz muitas coisas ao mesmo tempo, não para e só ouve", diz Olivani. A coleção física também tem um significado afetivo para o DJ. "Meus discos contam histórias, são memórias construídas com cada um", relata.

Não só os discos de Olivani, mas um disco em si completo também é uma forma de contar histórias que tem se perdido nos novos tempos. "O formato de álbum está sendo abolido, os novos artistas gravam singles", afirma.

Getty images
Imagem: Getty images

Para ele, outro aspecto que se perde quando se fala de consumo de música digital é a história da indústria fonográfica em si. "O mundo analógico ainda não está totalmente transposto para o mundo digital. Pelo menos 60% da história da indústria não está digitalizada", diz Olivani. Outra crítica do DJ é que falta nos streamings informar a ficha técnica de quem faz o que na produção de um som.

Fora do universo digital, existe todo mundo a ser explorado, diz Olivani, e os streamings servem mais como um ótimo guia na atualidade.

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