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TAB apresenta Festival Path


Path: Telas gravam dados das crianças e podem gerar controle comportamental

Pedro Hartung, Patrícia Favalle e Luísa Adib debatem sobre o uso do YouTube por crianças no Festval Path - Giacomo Vicenzo/Colaboração para o TAB
Pedro Hartung, Patrícia Favalle e Luísa Adib debatem sobre o uso do YouTube por crianças no Festval Path Imagem: Giacomo Vicenzo/Colaboração para o TAB

Giacomo Vicenzo

Colaboração para o TAB, em São Paulo

03/06/2019 04h00

Com uma palestra cheia de pais e mães, o grande debate da mesa "YouTube para crianças: manual básico para adultos" se propôs a esmiuçar os limites que transformam a rede de vídeos de aliada em vilã. Com conteúdo voltado ao público infantil, a plataforma conquista cada vez mais o tempo e o afeto dos pequenos.

Entre as dúvidas que marcavam os rostos dos pais apreensivos na plateia, a jornalista especializada em universo kids Patrícia Favalle, que organizava o bate-papo dos especialistas, lançou uma questão desafiadora: "Quantos são os pais levados a virarem youtubers para poder mediar os filhos dentro da internet?"

O evento faz parte do Festival Path, o maior evento de inovação e criatividade do país, que aconteceu neste fim de semana, na região da Avenida Paulista, em São Paulo. Neste ano, o evento é apresentado pelo TAB. Na mesa com falas contundentes também estava Pedro Hartung, advogado e Coordenador do Programa Prioridade Absoluta do Instituto Alana, que tem como foco proteger crianças de forma absoluta, incluindo o ambiente digital que muitas vezes tem publicidades veladas.

"É justo mandar publicidade para uma criança que não entende o trabalho persuasivo dela? Não é só injusto como é antiético e ilegal", explicou Hartung, que justificou esses cuidados. "O ambiente influencia muito na formação e o YouTube é um ambiente em que as crianças estão", completa.

Se a exposição e a publicidade infantil podem se "esconder" mesmo em meio ao conteúdo mais inocente no YouTube, para Luísa Adib, analista de informação no Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), presente na mesa, a preocupação deve começar bem antes das telas. "O diálogo offline é fundamental para orientar as crianças sobre o uso seguro e responsável da internet. A desigualdade econômica, no entanto, traz desafios. Pais e responsáveis que não possuem acesso à internet têm mais dificuldade de fazer uma mediação ativa, pois a familiaridade com a internet influencia na percepção sobre as experiências online de seus filhos", afirmou ela.

Pedro questionou sobre a forma não muito clara que algumas empresas conseguem monetizar seus serviços. "Os aplicativos que usamos diariamente são gratuitos. Qual o modelo de negócios por trás disso? Como diria minha vó, não existe almoço gratuito", ironizou.

O advogado se preocupa que crianças estão cada vez mais cedo tendo acesso às telas, o que gera algo que ele chama de controle comportamental, que pode ser usado pelas empresas para compilar dados para um futuro em que as bigdatas vão determinar desde o valor do plano de saúde até dados de desempenho escolar. "Violam a intimidade. O que essas empresas farão com toda essa informação?", perguntou.

Luísa Adib defendeu que encontramos riscos tanto no mundo conectado como no desconectado e Pedro lembrou da prática comum em drogarias de se pedir um CPF a cada compra. "Nós nem sabemos ao certo o que eles farão ao reunir essas informações", disse.

Em tom de encerramento, apesar dos constantes riscos apontados pelos palestrantes, a jornalista mediadora da conversa Patrícia Favalle, apontou um caminho aparentemente inevitável. "A internet é uma realidade. Ela não vai acabar, pelo contrário, vai se expandir e tem um papel importante nos relacionamentos das crianças", afirmou.

Hartung concordou com Favalle e reconheceu que muitas pessoas encontram espaços de pertencimento dentro da rede. Mas alertou: "O nativo digital é um mito! A criança pode ser nativa para mexer na tela do celular com o dedinho, mas não sabe lidar com a interação que isso irá causar", diz ele sobre crianças que mexem desde muito cedo no YouTube, por exemplo. E completa que no Brasil a especificação dos especialistas é que se proíba qualquer tipo de tela de 0 a 3 anos de idade.

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