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Bitcoins já consomem mais energia do que a Suíça

Criar bitcoins exige sempre mais poder computacional e, consequentemente, energia elétrica - UOL TAB
Criar bitcoins exige sempre mais poder computacional e, consequentemente, energia elétrica Imagem: UOL TAB

Do TAB, em São Paulo

04/07/2019 16h47

A produção de bitcoins já consome 59,19 TWh de energia elétrica por ano - mais do que Suíça (58,46 TWh), Grécia (56,89 TWh) e Israel (55 TWh), por exemplo. É o que mostra ferramenta desenvolvida pela Universidade de Cambridge e que estima em tempo real a quantidade de energia elétrica dedicada à criptomoeda.

Bitcoins podem ser "mineradas" por computadores que resolvem equações matemáticas a fim de revelar códigos específicos. O algoritmo da criptomoeda é projetado para que seja cada vez mais difícil resolvê-lo. Por isso, criar bitcoins exige sempre mais poder computacional e, consequentemente, energia elétrica.

Como a mineração de bitcoins é dinâmica e depende de uma série de fatores, como poder computacional, custo da energia elétrica e do próprio algoritmo da rede, a ferramenta da Universidade de Cambridge apenas estima a eletricidade consumida. À medida que novas moedas são geradas ou que a computação avança, o sistema atualiza seus cálculos.

A ferramenta de Cambridge ajuda a colocar em perspectiva o tamanho do problema. A energia dispensada para as bitcoins equivale a 0,24% de toda eletricidade produzida no mundo.

Toda a energia gerada por fontes hídricas é suficiente para alimentar 70 vezes a rede de bitcoins. Já a energia produzida por fonte solar e eólica, é suficiente para sustentar 24 vezes a rede. Por fim, a de biocombustíveis suportaria 10 vezes a rede de bitcoins.

"Queremos usar as comparações que definem a narrativa", disse Michel Rauchs, um dos criadores da ferramenta, à BBC. "Os visitantes podem decidir por si próprios se isso parece grande ou pequeno", comenta.

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Imagem: UOL TAB

A bitcoin é um problema ambiental?

O consumo elétrico da moeda pode ser pequeno hoje, mas caso continue crescendo, poderá ser um grande problema.

Em novembro de 2018, a revista Nature revelou que a energia usada para produzir bitcoin é mais do que o dobro para extrair cobre, ouro ou platina. A página Digiconomist calcula que uma transação com bitcoin consome 340 mil vezes mais do que uma com cartão de crédito.

Outro estudo, também publicado na Nature, indica que, se as bitcoins se tornarem tão populares quanto cartões de crédito, as emissões de gás carbônico para gerar toda essa energia farão a temperatura da Terra subir 2ºC em três décadas - mais do que o aceitável, segundo os signatários do Acordo de Paris.

Por mais que seja virtual, a bitcoin demanda recursos físicos. Há lastros na natureza, como explicou o arquiteto Lucas Girard ao TAB em fevereiro. "No setor tecnológico há esse discurso de disrupção, mas quem continua oferecendo a infraestrutura básica é o meio ambiente. Quem paga a conta, no fim, é a natureza", defendeu.

Há ainda o problema do descarte. Às 14h desta quinta-feira, 04 de julho, uma bitcoin valia mais de US$ 11 mil. O alto valor agregado da moeda atrai investidores dispostos a aportar em galpões, repletos de computadores projetados apenas para minerar bitcoins, em locais com energia elétrica barata, como no Paraguai.

Muitos desses computadores, quando são desativados, são descartados em lixos comuns. "Ainda não há um processo de desmontar a máquina. As peças não podem ser reaproveitadas", comenta Rodrigo Pimenta, dono da Hubchain, uma empresa que aluga computadores para mineração de bitcoins. No final de 2018, quando a moeda perdeu valor, foram desativados mais de 600 mil computadores no mundo.

Defensores da moeda, como Andreas Antonopoulos, autor do livro "Internet of Money", defendem, no entanto, que a bitcoin pode incentivar o uso de energia limpa. Segundo ele, é possível instalar mineradoras próximas a usinas de fontes renováveis com produção excedente para converter a eletricidade em dinheiro.

Além disso, defensores e pesquisadores de criptomoedas também debatem modelos mais eficientes para a produção de bitcoins para que, no longo prazo, ela consuma menos energia.

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