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Coração de D. Pedro 1º virá ao Brasil e será transportado em avião da FAB

Em coletiva de imprensa, autoridade da cidade do Porto anunciam o traslado do coração de D. Pedro 1º ao Brasil - Filipa Brito/CMP
Em coletiva de imprensa, autoridade da cidade do Porto anunciam o traslado do coração de D. Pedro 1º ao Brasil Imagem: Filipa Brito/CMP

Adriana Negreiros

Colaboração para o TAB, do Porto (Portugal)

22/06/2022 17h19

O pedido do governo brasileiro de empréstimo do coração do ex-imperador Dom Pedro 1º foi finalmente aceito por Portugal. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira (22) pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.

"É com enorme honra que anuncio a autorização para que o coração de Dom Pedro 4º, de Portugal, e 1º Imperador do Brasil, seja transladado para o Brasil", disse Moreira, durante coletiva de imprensa.

Está decidido que o coração será transportado dentro de um vaso selado, em um avião da Força Aérea Brasileira, em data a ser definida. O presidente da Câmara informou que "representantes do Estado brasileiro" deram a garantia de que iriam cumprir todas as exigências feitas pelas autoridades portuguesas. "Serei eu mesmo a garantir e a acompanhar o transporte deste importe tesouro da cidade", disse.

Rui Moreira — que, na prática, é o chefe do Executivo da cidade (o cargo de prefeito não existe em Portugal) — tem a guarda do órgão. As cinco chaves que abrem o sarcófago onde está armazenado o coração ficam guardadas na gaveta da escrivaninha dele. Durante a cerimônia de anúncio da autorização, ele exibiu as chaves. O sarcófago, por sua vez, encontra-se na capela-mor da Igreja da Lapa, onde Dom Pedro 1º assistia às missas militares.

Rui Moreira carrega a caixa onde estão as chaves que abrem o sarcófago onde está o coração de D. Pedro 1º, no Porto - Filipa Brito/CMP - Filipa Brito/CMP
Rui Moreira (ao centro) carrega a caixa onde estão as chaves que abrem o sarcófago onde está o coração de D. Pedro 1º. Ao lado, o presidente da Assembleia Municipal, Sebastião Feyo de Azevedo, e a provedora da Irmandade da Lapa, Maria Manuela Rebelo
Imagem: Filipa Brito/CMP

Antes de atender ao pedido do Brasil para emprestar o coração do ex-imperador, a Câmara Municipal do Porto certificou-se de que o traslado não envolvia riscos para a integridade da relíquia de quase 200 anos (Dom Pedro 1º morreu em 1834). Após consultar o presidente da República, Marcelo Rebelo de Souza, Rui Moreira decidiu encomendar uma perícia ao Instituto de Medicina Legal da cidade.

O Instituto nomeou cinco peritos das áreas de anatomia, medicina legal, genética e biologia forense para elaborar um laudo. Eles fizeram um exame de cinco horas no coração — uma massa disforme e pálida, de aspecto esponjoso — e deram o parecer positivo ao transporte temporário para o Brasil, em ambiente pressurizado.

As chaves para o sarcófago onde está guardado o coração de D. Pedro 1º - Filipa Brito/CMP - Filipa Brito/CMP
As chaves para o sarcófago onde está guardado o coração de D. Pedro 1º
Imagem: Filipa Brito/CMP

Bicentenário da Independência

O pedido de empréstimo do coração de Dom Pedro 1º foi feito pelo governo brasileiro em fevereiro de 2022, como parte das comemorações pelos 200 anos da independência do Brasil. Segundo Rui Moreira, as negociações envolveram, do lado brasileiro, os embaixadores Francisco Ribeiro Teles e Jorge Prata, além do ministro Carlos Alberto Franco França, das Relações Exteriores.

A resposta de Portugal ocorre, portanto, depois de quatro meses de espera por parte do Brasil. Nesse meio-tempo, especulou-se sobre a segurança da operação e o temor de autoridades e personalidades portuguesas de que o governo brasileiro perdesse ou estragasse a relíquia.

Coração de D.Pedro 1º, mantido em igreja no Porto. A imagem é take de um documentário a ser lançado em 2023 - Reprodução - Reprodução
Coração de D.Pedro 1º, mantido em igreja no Porto. A imagem é take de um documentário a ser lançado em 2023
Imagem: Reprodução

O coração de Dom Pedro 1º está no Porto a pedido do próprio, em sinal de agradecimento aos moradores da cidade por terem ficado ao seu lado durante guerra civil ocorrida entre 1832 e 1834. Ele se tornou ícone da liberdade ao comandar a vitória dos liberais contra os absolutistas, liderados pelo irmão Dom Miguel.