Lula lidera e cocô na garagem: como 'Datatoalha' ilustra Brasil polarizado

Todos os dias, multidões passam pela Avenida Paulista, em São Paulo. Aos domingos, quando a via fica disponível apenas para pedestres, a esquina com a rua Pamplona fica apinhada de gente com smartphones prontos para registrar o termômetro do momento para as eleições de 2022: ali, os amigos Saulo Adriel, 28, e Fernando Lopes, 28, montaram o que é considerado o primeiro "Datatoalha" da capital paulista.
Eles levam uma lousa à avenida e anotam quantas toalhas estampadas com os rostos dos presidenciáveis foram vendidas ao longo do dia. De 23 de julho até esta quinta-feira (18), o placar ficou 380, para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a 118, para Jair Bolsonaro (PL) — cada item custa R$ 35.
Tal qual a pesquisa de intenções de voto do Instituto Datafolha, o resultado registrado a giz também desperta discussões acaloradas: há transeuntes que questionam a credibilidade do sistema de Saulo e Fernando, que garantem que cada voto simbólico é marcado sem fraudes.
Certa vez, contam os vendedores, um cliente comprou 50 toalhas de Bolsonaro na esperança de marcar 50 pontos no placar. Entretanto, eles contam apenas um ponto por pessoa, independentemente da quantidade de suvenires adquiridos. Se o ator Bruno Gagliasso arrematasse 200 toalhas no estande de Saulo e Fernando para dar de presente a amigos, por exemplo, ainda assim contaria como um ponto.
"Comecei a vida vendendo balinha e chocolate no metrô até ter a ideia de migrar para as toalhas", diz Saulo. "Hoje, pessoas do Brasil inteiro vêm aqui só para ver o placar, viralizamos." As vendas aumentaram; a fiscalização, também. "Veio a dor de cabeça depois de tanta repercussão."
Desde março, o mercado de toalhas com estampas de políticos vem conquistando as ruas de São Paulo e do Rio. As barraquinhas se alastraram pelo país e, na internet, a onda virou tsunami: a palavra-chave "Datatoalha" pegou, milhares de usuários passaram a aclamar "a voz do povo" e a popularidade de políticos a partir das toalhas no Twitter e no Instagram e, só no TikTok, a hashtag #Datatoalha ultrapassou 3,9 milhões de views.
A atriz Angela Dippe, a eterna Penélope do "Castelo Rá-Tim-Bum", também ficou inspirada. Estava na casa do namorado na praia e decidiu gravar uma esquete para sua série "Querido Diário" no TikTok citando o Datatoalha: "De cada dez toalhas encomendadas, oito são do Lula e duas do Bolsonaro; do Ciro parece que nem vale a pena encomendar", diz — os números citados, por acaso, são de uma reportagem do TAB de fins de junho. "Fiz basicamente o que eu ouvi da notícia. Foi um dos meus posts com maior engajamento e visualizações", conta ela, que também tem uma toalha do Lula.
Em junho, um lulista pegou primeiro a arroba @Datatoalha, e passou a compilar posts com os acessórios felpudos pró-Lula. Em julho, viralizaram vídeos dos placares. "Alguém tinha que fazer o #datatoalha então eu fui lá e fiz", postou a estudante Harumy Sato, do podcast Pelos Subúrbios, no Rio de Janeiro, um dos primeiros registros do tipo. Da rua Uruguaiana, no centro do Rio, à cidade de Couto Magalhães, no interior de Minas Gerais, várias "pesquisas" de rua tomaram as redes.
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