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Paulo Sampaio

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Esconderam de mim por 32 anos que Paulo Leminski era meu pai, diz músico

O músico Paulo Leminski Neto, também chamado de Luciano "Lucky" da Costa, e o poeta Paulo Leminski (nas fotos ao fundo): semelhança inegável - Reprodução/Arquivo Pessoal
O músico Paulo Leminski Neto, também chamado de Luciano "Lucky" da Costa, e o poeta Paulo Leminski (nas fotos ao fundo): semelhança inegável Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal
Paulo Sampaio

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

Colunista do TAB

10/06/2021 04h01

Editado em tamanho reduzido, o print de uma certidão de nascimento impresso em "O bandido que sabia latim" (ed.Record), biografia do poeta curitibano Paulo Leminski Filho, tomou proporções épicas. O documento revela que o escritor registrou como seu filho uma criança que nunca fora chamada pelo nome averbado, Paulo Leminski Neto. Até a publicação da biografia, em 2001, o cidadão registrado acreditava se chamar Luciano da Costa.

"Esconderam de mim por 32 anos que Paulo Leminski era meu pai", diz Luciano, ou Lucky, que é músico e tem agora 53.

Nascido em Curitiba em 31 de janeiro de 1968, Lucky conta que a mãe e o padrasto o registraram de novo, em 1976, com outro nome, quando decidiram matriculá-lo na escola. Os motivos que levaram o casal a perpetrar a falsidade ideológica nunca foram inteiramente esclarecidos: "Durante 8 anos, eles me chamaram de Kiko ou 'menino', e me privaram do convívio com outras crianças", lembra o músico, que cresceu no Rio. Vinte anos depois de descobrir sua identidade, Lucky ainda sente dificuldade de superar a desconsideração dos envolvidos em uma história que, segundo diz, interessava a todos, menos a ele.

Toninho Vaz, o biógrafo: "A paternidade do Lucky sempre foi algo nebuloso. A verdade é que o pai, a mulher dele, a mãe e o padrasto viveram uma farsa que convinha a todos."

Em 2003, graças à confusão deflagrada pela leitura da biografia, Kiko/Luciano/Lucky/Paulo Leminski Neto mergulhou em uma crise de depressão que culminou na ingestão de 60 comprimidos de Diazepam (tranquilizante) com cerveja: "Eu não queria me matar, queria só sair daquela situação, sumir."

A certidão de nascimento de Luciano da Costa, lavrada no Rio em 1976, e a de Paulo Leminski Neto, em Curitiba, 1968 - Reprodução/Arquivo Pessoal  - Reprodução/Arquivo Pessoal
A certidão de nascimento de Luciano da Costa, lavrada no Rio em 1976, e a de Paulo Leminski Neto, em Curitiba, 1968
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Comuna e amor livre

O mistério que envolve a origem de Paulo Leminski Neto remonta a gravidez de Nevair "Neiva" Maria de Souza, mãe do garoto e única mulher que se casou no papel com o poeta — em 1965. O casal habitava uma espécie de comuna hippie frequentada por adeptos do "amor livre". Entre os residentes estavam o jornalista Ivan da Costa, que mais tarde se tornaria padrasto de Lucky, e a poeta Alice Ruiz, que apareceu na festa de 24 anos de Leminski, em agosto de 1968, e se instalou na vida dele por cerca de duas décadas. Os dois tiveram três filhos — Miguel, Áurea e Estrela — e ficaram juntos até um ano antes de Leminski morrer de cirrose hepática, em 1989.

Não há consenso em relação à data exata do começo do relacionamento de Neiva com Ivan. De acordo com o relato mais ouvido nas entrevistas, os dois teriam se tornado amantes quando ela esperava Paulo Leminski Neto. Por sua vez, Alice logo ficou grávida do primeiro filho que teve com Paulo Leminski, Miguel, que morreria de leucemia aos 10 anos.

Paulo Leminski, entre o pai e Neiva, em Guaratuba - Reprodução/Biografia - Reprodução/Biografia
Paulo Leminski, entre o pai e Neiva, em Guaratuba
Imagem: Reprodução/Biografia

Caetano e Wisnik

Paulo Leminski inventou um estilo que o consagrou pela linguagem coloquial, curta e acessível. Além de 600 poemas e 20 livros de prosa, ele compôs por volta de 100 músicas. Em determinado momento, atraiu a atenção de Caetano Veloso, que gravou dele "Verdura", no álbum "Outras Palavras", e de José Miguel Wisnik, Itamar Assumpção e Moraes Moreira, com quem criou em parceria, respectivamente, "Polonaise", "Filho de Santa Maria" e "Promessas Demais".

Faixa-preta de judô, Leminski cultivava um bigode que se alongava nas laterais da boca e era considerado na cena underground de Curitiba um "poeta marginal". Criou para si um personagem excêntrico, atormentado e transgressor, que seus críticos afirmam ser mais forte que a própria obra dele. Apontado como bígamo pelos vizinhos conservadores, foi convidado a se retirar do edifício São Bernardo, onde viva na "comuna hippie".

Toninho Vaz, que o conheceu na época, diz que nunca conseguiu uma informação precisa a respeito do relacionamento entre os dois casais. "O que todo mundo falava é que Neiva se dividia entre Paulo e Ivan. Cheguei a provocá-lo com o assunto, mas ele desconversou."

Leminski, Caetano Veloso e Alice Ruiz, em Curitiba - Reprodução/Biografia - Reprodução/Biografia
Leminski, Caetano Veloso e Alice Ruiz, em Curitiba
Imagem: Reprodução/Biografia

Mãe narcisista

Procurados por telefone e WhatsApp, Neiva e Ivan nunca responderam à reportagem. Lucky diz que "com certeza, minha mãe não vai querer falar desse assunto com jornalistas". "Ela é uma narcisista perversa, mitômana, que teria sustentado até o fim o teatro que criou com meu padrasto, não fosse a revelação da biografia. Quando o Toninho os entrevistou e os avisou que me procuraria, ambos me disseram para não dar ouvidos a ele, alegando que era um 'jornalista marrom' [expressão que define um tipo de jornalismo escandoso e sem escrúpulos]."

Até os 8 anos, a criança registrada como Paulo Leminski Neto foi chamada de "Kiko": "Minha mãe é uma narcisista perversa" - Arquivo Pessoal/Lucky/Leminski Neto - Arquivo Pessoal/Lucky/Leminski Neto
Até os 8 anos, a criança registrada como Paulo Leminski Neto foi chamada de "Kiko": "Minha mãe é uma narcisista perversa"
Imagem: Arquivo Pessoal/Lucky/Leminski Neto

Tempos depois do lançamento da biografia, Ivan se submeteu a um exame de investigação de paternidade que mostrou que Lucky não é seu filho. "Acho que ele ainda alimentava um resto de esperança, apesar de eu ser a cara do Paulo. O resultado do teste abalou muito o relacionamento com a Neiva. Depois disso, ele teve uma filha fora do casamento, que está com 15 anos agora. Mora em Rocha Miranda [subúrbio carioca]."

O teste de DNA - Reprodução/Arquivo Pessoal - Reprodução/Arquivo Pessoal
O teste de DNA
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Conclusão - Reprodução/Arquivo Pessoal - Reprodução/Arquivo Pessoal
Conclusão
Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Cancelado em família

O relacionamento de Lucky com Alice Ruiz e as filhas dela, inventariantes da obra de Paulo Leminski, não é mais fácil. "A Alice contribui na mesma medida para minha amargura. Agora que ela e as filhas não têm como negar que Paulo Leminski é legalmente meu pai, fazem tudo para me destituir, me excluir, me cancelar", diz o músico.

Alice Ruiz se mostra surpresa com a amargura de Lucky. Embora afirme que esteve com Paulo Leminski no Rio em 1976 ("eu me lembro de ter ido"), e acompanhou com ele, Ivan e Neiva o registro da certidão de Luciano da Costa, ela diz que é "a pessoa que menos tem a ver com isso". "Se ele deve sentir raiva de alguém, é das pessoas com quem ele tem vínculo afetivo."

Mesmo tendo conhecimento do teste de DNA, Alice afirma que "não dá para saber quem, de fato, é o pai do Kiko". Segundo ela, "muita gente entrava naquele apartamento".

Lucky acredita que a rejeição de Alice e de suas irmãs vai além do "desafeto": "Diz respeito à herança."

Catatau em desenvolvimento

Alice afirma que não tem o que temer. "Veja bem: a divisão dos bens do Paulo, com o Kiko ou sem, não me afeta em nada. Eu sou meeira, continuo tendo direito à metade. Ele tem de se acertar com as irmãs." Ainda assim, ela alega que "a produção do Paulo foi nos 20 anos em que esteve casado comigo, e houve um momento em que eu trabalhei fora, para ele ficar em casa criando". "Quando eu o conheci, o 'Catatau' [obra mais emblemática do escritor] era um conto de oito páginas, que se chamava 'Descartes com Lentes'. Fora isso, havia uns poemas que não chegavam a compor um volume inteiro."

De acordo com ela, suas filhas tentaram fazer um acordo financeiro com Kiko em junho de 2020, sem sucesso: "Elas propuseram dividir tudo que se comercializasse dali pra frente. Ele não aceitou. Quer o retroativo."

Alice, com Paulo e Estrela, anos 1980: "Houve um momento em que eu trabalhei fora, para ele ficar em casa criando" - Reprodução/Instagram Alice Ruiz - Reprodução/Instagram Alice Ruiz
Alice, com Paulo e Estrela, anos 1980: "Houve um momento em que eu trabalhei fora, para ele ficar em casa criando"
Imagem: Reprodução/Instagram Alice Ruiz

A assessoria de imprensa da editora Companhia das Letras, que publica a obra de Paulo Leminski, informa que desde 2013 lançou cinco títulos do autor, que venderam cerca de 300 mil exemplares. Não há nada previsto para o futuro. Um dos títulos, "Toda Poesia", ultrapassou os 100 mil — em determinado momento, estava à frente do blockbuster "50 Tons de Cinza" (E.L. James) na lista de mais vendidos.

Em suas tentativas de conversar com Estrela, Lucky diz que foi recebido com muita hostilidade. "Da última vez, assim que eu disse 'alô', ela desligou o telefone."

Alice se queixa do mesmo, em relação a Lucky: "Parei de falar com ele, era muita agressividade. Tadinho. A gente às vezes cria histórias porque não aguenta a realidade. Para isso existe terapeuta, né?"

Ataque virtual

Procurada, Estrela não chegou a falar com TAB. Protelou por mais de quatro horas a entrevista por telefone. Nesse meio-tempo, enviou dois prints de mensagens escritas por pessoas que atacavam Lucky e a mulher dele. E ainda uma foto dela com o irmão, em uma conferência pelo computador, representando uma suposta "tentativa de conversa no ano passado".

"Ele tem do lado um papagaio fake que comanda e imediatamente ele cumpre as ordens", começava a primeira mensagem.

"Estou tendo problemas com eles dois tbm...e concordo plenamente que é ela que domina, infelizmente ele está possuído (de fato), por uma pessoa que se aproveita para se dar bem", diz a outra.

Fazendo as contas

Por fim, Estrela respondeu por escrito e áudio a algumas perguntas. Embora não houvesse nas questões alusão a dinheiro, apenas à quantidade de obras, ela buscou minimizar valores.

"É difícil quantificar uma coisa financeiramente, que não é um patrimônio como uma casa, ou uma gestão de dinheiro. Quando meu pai morreu ele deixou apenas uma obra, que a gente vai organizando. É uma obra que acaba continuando a produção, e cada caso é um caso, querido. No caso de bandas independentes, é complicado, parece que todo o material fica assim uma arrecadação enlouquecida, e a gente sabe que não é assim que funciona. A gente está falando de venda de arte. Para cada material, é em torno de 10% do preço de capa, e isso dividido entre os autores, na parte da música, você já deve imaginar o quão pequeno e pouco isso é."

Capa da primeira edição de "Catatau", de 1975, e foto do cartaz de lançamento do livro, feita por Dico Kremer - Reprodução/Biografia - Reprodução/Biografia
Capa da primeira edição de "Catatau", de 1975, e foto do cartaz de lançamento do livro, feita por Dico Kremer
Imagem: Reprodução/Biografia

Correção da injustiça

De acordo com a advogada de Lucky, Letícia Gonçalves Dias Lima, a tentativa das irmãs de propor um acordo dos valores obtidos dali (2020) pra frente "não faz o menor sentido". "A biografia foi publicada há 20 anos. A partir de então, todo mundo sabia da existência de Paulo Leminski Neto. Em vez de cumprir o seu dever, que era procurá-lo e providenciar a correção dessa injustiça toda, elas preferiram ignorá-lo, preteri-lo."

Em relação à "segunda" certidão de nascimento, a advogada diz que não se trata de um documento falso, uma vez que foi lavrada em cartório, mas nulo, pela falsidade dos dados. No momento, ela finaliza o processo de retificação do nome. "Já pedi para o juiz oficiar todos os órgãos públicos. O CPF está vinculado a Luciano da Costa. Existe um conflito muito grande, e isso o prejudica quando ele se apresenta com o nome do registro original."

Direito prescrito

O advogado de Alice e das filhas, André Alves Wlodarczyk, sustenta que "o inventário de Paulo Leminski Filho iniciou-se em 1991 e findou em 1998" e que o direito de Lucky em relação à partilha está prescrito. "O prazo seria de cinco anos, contados a partir do fim do inventário (1991), ou, na melhor das hipóteses, da descoberta da suposta filiação que se alega (2001)."

Embora ambas as partes tenham constituído advogados, a única ação aberta até o momento diz respeito à ratificação da primeira certidão de nascimento, por parte de Luciano da Costa — no Facebook, ele se apresenta como Paulo Leminski.

Wlodarczyk diz que o documento não chegou a ele, "para averiguação de veracidade e de legalidade pela via que foi obtido". "Ele [Lucky] teve pai e mãe declarados em registro civil. Deve-se ficar bem claro que até o momento a suposta filiação é uma declaração unilateral de Luciano."

Obra não autorizada

O rancor em relação a Alice e as filhas não é prerrogativa de Lucky. Toninho Vaz se queixa de que teve a obra "censurada" a partir da quarta edição, que seria lançada em 2013. "Eu acrescentei seis linhas, relatando o suicídio do Pedro, irmão do Paulo, e a Alice achou que manchava a imagem da família. Não autorizou mais a publicação das poesias."

Na ocasião em que a edição foi suspensa, Alice deu uma entrevista afirmando que o suicídio de Pedro Leminski "não contribui para elucidar a personalidade e obra do biografado". "Além disso, não concordamos com a atitude de explorar fatos trágicos."

Para Toninho, Alice só censurou a biografia quando não interessava mais a ela sua publicação. "Em 2001, ao ser lançado, o livro reativou a lembrança de gente que já era admiradora do Paulo, e apresentou o trabalho dele para uma geração que não o conhecia. Preparou o terreno para que a obra dele cumprisse a carreira de sucesso que obteve a partir de 2013 (com o lançamento de 'Toda Poesia'). Depois, por causa da dimensão que a exposição da certidão de Paulo Leminski Neto poderia tomar, ela não quis mais".

Alice ri alto. "Que pretensão! O Paulo nunca parou de acontecer, de fazer sucesso. Era um tremendo escritor, e um pensador de cultura. Por sinal, a biografia não tem essa abordagem, e sim a sensacionalista. Se o livro vendeu bem, foi graças ao Paulo, e não o contrário. O que fez a obra do Paulo bombar foi a internet. O estilo dele tem tudo a ver com a geração mais nova. É rápido, palatável, tem humor."

Esquerda gananciosa

Assim como Neiva, definida por Lucky como uma "ex-hippie que agora é bolsonarista e não acredita no vírus (corona), diz que é coisa de comunista", Alice o intriga "pelo contraditório". "Sabe essa cultura do 'paz e amor', que na prática não é nada disso? Como é que uma pessoa que se diz de esquerda, progressista, contra a censura e a ditadura militar pode se revelar tão gananciosa?"

Alice se compadece de Lucky. Diz que "não é fácil ser ele". "Tadinho. O Kiko ficou sequelado. Descobrir aos 32 anos que tem dupla identidade não é fácil. E tem essa pandemia, que está levando uma porção de gente a surtar. O que ele vai fazer? Odiar a mãe? O possível pai que o criou? Não! Ele vai me odiar!"

E o pai que o registrou?

Em nenhum momento os entrevistados se dão conta de que podem estar fazendo uma interpretação machista do abandono de Lucky. Ninguém acusa o poeta Leminski de falta de interesse pelo destino do filho. Alice concorda: "Existe realmente uma leitura machista e, ao mesmo tempo, protetora: 'Ah, mas ele era um poeta.' Não seja por isso, eu também sou."

Lucky diz que não isenta o pai: "O problema é que ele estava morto quando eu tomei conhecimento da certidão. Se estivesse vivo, cobraria da mesma forma que faço com os outros. Ninguém é santo nessa história".

Toninho relativiza: "O Paulo não tinha controle desse universo. As mulheres comandavam. A elas interessava. A Alice não ia criar o filho que não era dela, e além disso morria de ciúmes da Neiva. Queria que ela fosse viver no deserto. E nesse caso, era melhor que os casais se mantivessem distantes."

Lucky não isenta Paulo Leminski: "Ninguém é santo nessa história" - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Lucky não isenta Paulo Leminski: "Ninguém é santo nessa história"
Imagem: Arquivo Pessoal

Faith no More

Morando em Curitiba há cerca de seis meses, Lucky/Leminski tenta recomeçar sua história a partir do lugar onde nasceu e foi registrado. Em relação aos quase 20 anos que levou para tomar uma atitude a respeito do que considera seus direitos, ele alega que sucumbiu ao conflito existencial e à culpa:

"Além do choque da descoberta de que eu era outra pessoa, com outro nome e outra origem, ainda precisei enfrentar a chantagem da minha mãe. Eu me sentia obrigado a protegê-los do crime de falsidade ideológica. Por muito tempo, tentei me convencer de que afinal eu era só aquela pessoa que tinha existido até ali, e fui empurrando com a barriga, mas cheguei no meu limite."

No momento, Lucky está desempregado, "vivendo de favor". Diz que sofre bullying de pessoas que não acreditam que ele é filho de Paulo Leminski. Cantor metaleiro, ele toca guitarra e participou de duas bandas, "Robertinho do Recife e Metalmania" e "X-Rated". "Toquei no Rock in Rio e, em diferentes momentos, abri shows das bandas americanas 'Faith no More', 'Korn' e 'Quiet Riot'."

Por tudo que lhe aconteceu, se considera uma espécie de filho renegado da vanguarda da contracultura curitibana. O personagem que "sobrou". "Pode colocar aí: tenho horror a hippies. Sou heavy metal!"