Vela com cheiro de vagina à venda por US$ 75: empoderamento ou capitalismo?

Há mais ou menos um ano, entrou no mercado um produto que prometia ser "engraçado, maravilhoso, sexy e lindamente inesperado". Por US$ 75, é possível comprar uma vela com "cheiro de vagina".
Sim, você leu certo. Em tempos de dólar nas alturas, pouco mais de 400 reais (mais frete) pagam o produto que promete aromatizar o ambiente com o cheiro de partes íntimas femininas. Isso, é claro, se para você o odor da vagina tiver tons de gerânio, bergamota cítrica e cedro, "justapostos a rosa damasco e semente de ambreta", seja lá o que isso quer dizer.
O produto é real, e é vendido pela Goop, marca criada pela empresária e atriz norte-americana Gwyneth Paltrow, num movimento que ela considera de empoderamento feminino. Mas, convenhamos, alguém aí conhece uma vagina com tons de bergamota?
"O problema do capitalismo é esse. Quando as bandeiras se impõem, sempre aparece alguém para ganhar dinheiro em cima da luta do outro. Esse negócio de vela cheirando à pepeca é uma grande palhaçada, é uma bobeira", opina o antropólogo e colunista de TAB Michel Alcoforado no mais novo episódio do CAOScast, veiculado esta semana por aqui. (Ouça a partir de 36:23)
A partir de um desejo da libertação do corpo feminino como algo a ser admirado e exposto — sempre pela visão do homem —, alguns produtos e conceitos pesam a mão e chegam a criar novas necessidades e novas obrigações, opinam os convidados do debate. "Tem esse ponto de a gente não transformar uma brincadeira em mais uma métrica, e não criar mais uma regrinha do que é certo", lembra Marina Roale, head de pesquisa da Consumoteca. (A partir de 38:45)
Um produto que à primeira vista pode parecer inocente e até engraçado pode acabar impondo um novo padrão, observa a pesquisadora, que cita o livro "O Mito da Beleza", de Naomi Wolf, para lembrar que vivemos em uma sociedade que cultua a obediência por parte das mulheres. É o velho meme "tem um padrão novo aqui? Me segura que eu quero seguir!"
"Os homens são seres pouco desenvolvidos, né. Eles vão começar a buscar em outras pepecas o mesmo cheiro da pepeca dessa moça, e aí vai vir um novo fardo para vida das mulheres, que é ter a pepeca cheirando à pepeca da fulana", explica Alcoforado. "Quando o grande debate é a gente entender que pepecas cheiram e elas podem cheirar ao que elas quiserem cheirar." (A partir de 38:05)
Quer saber mais sobre a pressão pelo corpo perfeito e como algumas pessoas têm liderado movimentos positivos de aceitação e quebra de paradigmas preconceituosos? Pega os fones de ouvido e vem escutar o debate completo no CAOScast desta semana. É só clicar no play ali em cima.
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