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BBB21 ensina: público não gosta de ver gente sendo oprimida e excluída

BBB 21: Karol conversa com Sarah no quarto colorido - Reprodução/Globoplay
BBB 21: Karol conversa com Sarah no quarto colorido Imagem: Reprodução/Globoplay

Do TAB

14/02/2021 04h01

Tuitou que torcia pro Fiuk e se arrependeu? Era fã da Karol Conká e se sentiu na obrigação de justificar nas redes sociais que gostava dela antes de conhecer seu lado cancelador no "Big Brother Brasil"?

Além de olhar e julgar o comportamento de quem está dentro da casa do reality, os brasileiros (tuiteiros) estão monitorando seus coleguinhas na internet. Se antes o público escolhia seu favorito e torcia até o final, agora revê sua preferência de acordo com a personalidade dos participantes, que vai se revelando aos poucos, e com base em quem é o errado da vez. Esta é a discussão da trupe do CAOScast no mais novo episódio veiculado aqui em TAB.

Vai dizer que você já não ficou pensando as mil formas em que seria cancelado, caso fosse observado 24 horas por dia? O antropólogo Michel Alcoforado e o pesquisador Tiago Faria confessam que têm até medo de entrar nessa roubada. Afinal, se a internet decide que não gosta de um participante, não tem muita saída.

"Hoje em dia, quando o paredão é aberto, meio que a gente já sabe quem vai sair", avalia a pesquisadora Marina Roale. "Desde o último BBB tinha isso, o público vai entrando em acordo na internet sobre quem tá mandando bem, quem tá mandando mal. (...) E acho que tem ainda o fator efemeridade. Nessa edição, é tanta coisa rolando tão rápido, essa aceleração do quem tá certo e quem tá errado é muito rápida", afirma ela (ouça acima, a partir de 31:58).

E aí tem até participante fazendo curso antes de entrar para não dar mancada na casa, como foi o caso de Fiuk. Não que tenha adiantado muito, mas o medo do cancelamento é real. "Acho que a gente chegou num nível da cultura do cancelamento que a gente age por antecedência. Que é o que está rolando dentro da casa. Todo mundo entra tão cheio de dedo, tão pedindo desculpa por tudo, você fica com tanto medo do que pode ser, que você perde um pouco seu filtro e sua espontaneidade para falar o que pensa", avalia Roale (a partir de 33:48).

Chegar mostrando que é desconstruidão pegou bem na edição passada, mas os participantes do BBB 21 se esqueceram de uma coisa, segundo a pesquisadora Rebeca de Morais: o público em geral não gosta de ver alguém sendo oprimido e excluído. "Tem uma coisa desse poder do cancelamento, do linchamento dos maus (...). Isso tem uma potência tão grande na internet que quem tá na internet e vê Big Brother tinha de fato certeza de que os militantes eram os favoritos. Só que acho que tem uma coisa que entra em cena e que não está na conta desse pessoal, e que é uma característica de quem assiste reality show, que é uma certa benevolência, você ter dó do oprimido. E daí as pessoas se veem obrigadas a cancelar quem está cancelando, afinal tem gente que está sofrendo ali na mão de alguém que está se dizendo dono da razão", analisa ela (a partir de 23:18).

E aí entram em cena os administradores das redes sociais dos que estão confinados. Eles interagem uns com os outros nas redes para limpar a barra do participante em questão, para fazer uma piadinha ou simplesmente para ganhar simpatia do público com base no que está acontecendo aqui fora. A briga já nem é tanto pelo prêmio final — pelo menos para o pessoal do camarote: vira uma disputa por alcance. Os famosos buscam o programa para amplificar seu trabalho, os anônimos ganham milhares de seguidores nas redes, e quem acompanha e comenta na internet ganha likes ou chuva de mensagens de ódio, dependendo de quem resolve defender.

O jogo acontece tanto lá dentro quanto aqui fora, e não dá para ficar imune ao assunto. Nossa dica é ouvir o episódio do CAOScast desta semana para entender como navegar por esse fenômeno.