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De Nego do Borel a Silvio Santos, veja quem foi 'cancelado' em 2019

Nego do Borel e Anitta - Reprodução/Rede Globo
Nego do Borel e Anitta Imagem: Reprodução/Rede Globo

Kaluan Bernardo

Do TAB

26/12/2019 04h00

Se Andy Warhol previa que no futuro todo mundo teria seus 15 minutos de fama, 2019 chegou para provar que fomos muito além e hoje todos já têm seus 15 minutos (ou muito mais) de cancelamento.

A ideia de boicotar pessoas porque fizeram algo politicamente incorreto ou contra a expectativa que determinado grupo nutria quanto a ela foi levada a novos patamares este ano.

O linchamento virtual de artistas e celebridades tem tudo a ver com a polarização e a necessidade, cada vez maior, de balizar de imediato e sem contexto o comportamento do outro, especialmente se ele for rico ou muito conhecido. Manifestar desapreço virou quase uma obrigação — como se todo mundo pudesse praticar, nas redes sociais, uma espécie de "salvaguarda moral" da sociedade. TAB já tratou do assunto aqui.

Curioso é que Felipe Neto, que já foi cancelado várias vezes, se tornou o grande cancelador de 2019. O resultado é que há tanta gente cancelada que é fácil se perder e esquecer de todas as polêmicas. Por isso, o TAB olha para trás e relembra alguns dos principais cancelamentos que rolaram em 2019. Vem com a gente.

Azealia Banks — desrespeito a Pablo Vittar

A rapper estadunidense tem péssimo histórico com os brasileiros desde o final de 2018, quando cancelou um show em Fortaleza. A cantora não quis se apresentar antes de Pabllo Vittar, dizendo que era "mais poderosa" que sua colega brasileira. A turnê por aqui ainda teve shows de apenas 40 minutos, iniciados com atrasos de mais de três horas. Vale lembrar que, em 2017, Banks ainda havia chamado fãs brasileiros de "aberrações do terceiro mundo".

Corta para 2019 e Azealia renova seu contrato de cancelamento. Ao responder a um fã, a rapper criticou novamente Pabllo Vittar, afirmando que a drag "apenas copia o que vê", "é uma artista de nível C" e que os brasileiros deveriam se importar mais com a própria cultura e menos com o que é produzido no "Ocidente".

Britto Junior — machismo e homofobia

O apresentador da TV Record tem um péssimo histórico de cancelamentos que renderiam uma retrospectiva só dele. Há discussões e alfinetadas em Sabrina Sato, Ronaldo Ésper, Roberto Justus e muitos outros.

Mas, em 2019, Britto Junior conseguiu a façanha de ser considerado macho palestrinha e homofóbico simultaneamente, ao dizer que Luana Piovani precisava de "um homem de verdade", mas que estava difícil, com "tantos caras virando maricas". No dia seguinte, conseguiu piorar a situação, ao dizer que sofria preconceito por ser hétero, porque "LGBTs não aceitam homens que gostam de mulher".

Carlinhos Maia — falta de posicionamento, chacota de suicídio e desrespeito à arte

Em maio, o influenciador digital Carlinhos Maia fez uma transmissão ao vivo do seu casamento com Lucas Guimarães para 3 milhões de pessoas. O estranho? Ele dizer que era apenas a "união entre dois homens", não "um casamento gay". Não rolou nem beijo.

Calma que agora vem uma lista. Logo no início da campanha Setembro Amarelo, Maia postou um vídeo para seus 16 milhões de seguidores do Instagram, criticando jovens com ideias suicidas. "Eu vejo meninos de 16 anos me mandando 'eu quero me matar'. Vai, imbecil, vai se matar porque você nem começou a vida ainda." Como explica esta reportagem do UOL Universa, a fala é extremamente prejudicial ao equilíbrio emocional de adolescentes passando por tal fase.

Para fechar 2019, ainda teve a ideia de vandalizar um quadro em um hotel rabiscando em cima da pintura e desrespeitando a artista.

Drake — cancelador notório

Drake foi cancelado por cancelar. Um dos mais famosos rappers do mundo estreou esse ano em terras brasileiras, mas já chegou cancelando a turnê que faria no país e prometendo se apresentar apenas no Rock in Rio. Chega o dia e o bonito impede a transmissão do show pela TV. De brinde, ignorou fãs no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, trouxe marmitas para não ter que comer comida brasileira, demitiu e recontratou responsáveis pela iluminação do palco — o que resultou em um show, literalmente, com pouca luz.

MC Gui — bullying com crianças

Possivelmente um dos maiores cancelamentos de 2019 aconteceu quando o funkeiro estava na Disney e teve a nada inteligente ideia de pegar o celular e começar a filmar e rir de uma menina. "Mano, olha isso!", dizia MC Gui, enquanto os amigos riam e a menina ficava claramente constrangida.

A reação foi instantânea e MC Gui tentou justificar-se, dizendo que apenas estava impressionado porque a garota parecia com a "Boo" (personagem da animação "Monstros S.A."). Não colou.

Nego do Borel — transfobia

Tudo começou com um elogio da youtuber transexual Luisa Marilac em uma foto do funkeiro. "A cada dia que passa você está mais gato, homem", escreveu ela. "Você é um homem gato também, parabéns. Deve estar cheio de gatas!", respondeu ele.

O comentário transfóbico rendeu vaias em shows, cancelamento de apresentações, ameaça de processo por parte de Luisa Marilac e reconciliação entre ambos. Sobrou até pra Anitta, que defendeu Nego do Borel, e também foi criticada.

Silvio Santos — racismo, machismo e falta de noção

Na mesma noite em que Zozibini Tunzi, uma negra, ganhava o Miss Universo ao representar a África do Sul, Silvio Santos era acusado de racismo com uma participante negra de seu programa.

O apresentador promoveu uma competição de calouros para interpretar "Caneta Azul". A candidata Jennyfer Oliver, a única negra, foi eleita por 84 participantes do auditório como a melhor intérprete, mas o apresentador ignorou a escolha e decidiu dar o prêmio para a terceira colocada. Após ser criticado nas redes sociais, respondeu com ironia, confundindo de propósito homofobia com racismo.

Também em 2019, Silvio Santos também perguntou para uma menina se ela preferia sexo, poder ou dinheiro. De brinde, ainda chamou sua esposa de "porcaria". Canceladíssimo.

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