PUBLICIDADE
Topo

Tênis bate recorde de preço a US$ 1,8 milhão; entenda os 'sneakerheads'

Nike Air Yeezy, tênis de Kanye West durante a cerimônia de entrega do Grammy de 2008, leiloado por US$ 1,8 milhão na Sotheby"s - Handout / SOTHEBY"S / AFP
Nike Air Yeezy, tênis de Kanye West durante a cerimônia de entrega do Grammy de 2008, leiloado por US$ 1,8 milhão na Sotheby's Imagem: Handout / SOTHEBY'S / AFP

Do TAB

02/05/2021 04h01

Dentre os recordes mais recentes registrados na casa de leilões Sotheby's, fundada no Reino Unido em 1744, estão um quadro de Van Gogh, uma obra de Banksy e um tênis de Kanye West.

O par era da marca Nike, modelo Air Yeezy 1, e foi vendido no dia 26 de abril por US$ 1,8 milhão (por volta de R$ 9,8 milhões), batendo o recorde anterior do tênis Air Jordan 1, também da Nike, vendido em 2020 por US$ 615 mil. Em comum, além do valor exorbitante por um par de tênis, eles têm um grande nome em parceria com uma grande marca.

Essa é uma das principais características do streetwear de luxo, ou o luxo comfy, tema do novo episódio de CAOScast distribuído em TAB. Nesse universo de roupas de moletom, capuzes e muito conforto chique, os tênis vêm ganhando destaque.

Quem é aficionado pela peça e coleciona centenas de pares já tem até nome: sneakerhead. O pesquisador Tiago Faria conta no episódio que já foi assim. Apesar de ter se desfeito de parte da coleção por ter mudado sua ideia de consumo, não abandonou a peça por completo, e fica feliz em poder unir o conforto do tênis ao status um pouco mais "arrumadinho" que ele ganhou hoje em dia. Afinal, não foi sempre assim.

"Tem a teoria do 'bubble up', que se refere a esses estilos que vêm dos movimentos de rua e que acabam instigando curiosidade, a pesquisa de criadores e de grandes marcas de moda que depois vão passar a criar roupas inspiradas nesses movimentos. Funciona de baixo para cima", afirma a pesquisadora Rebeca de Moraes (ouça a partir de 13:52). Um exemplo é a marca Balenciaga, cujos tênis viraram objeto de desejo a preços próximos dos R$ 10 mil.

Boa parte desse luxo associado hoje às peças de streetwear vem da chancela da internet, explica Faria. "Acho que não tem como falar de comfy luxo sem falar do papel da internet. Os millennials são amplamente digitalizados e, por ter muito acesso à informação, são consumidores consequentemente muito mais exigentes e que têm muito mais relevância na tomada de decisão de compra. É através da rede social que essa parcela da população fica a par das tendências, no fim das contas. As redes estão entre os fatores que mais influenciam esse público, sendo que 40% de todos os bens de luxo comprados foram influenciados pelo que foi visto online, de acordo com o estudo Luxo na Idade do Darwinismo Digital, da Mckinsey" (a partir de 28:55).

Segundo uma pesquisa de 2018 da Bain & Company citada pelos caóticos, os millennials são a geração que mais tem contribuído para o crescimento do setor de luxo, correspondendo a 47% desse mercado.

Ficou interessado em saber como o estilo das ruas está tomando as grandes marcas e levando a contracultura às passarelas? Não perca o episódio de CAOScast acima.