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Carlos Ghosn e Pablo Escobar estão em lista de nove fugas impressionantes

Carlos Ghosn, ex-CEO da aliança Renault-Nissan - Ludovic Marin/AFP
Carlos Ghosn, ex-CEO da aliança Renault-Nissan Imagem: Ludovic Marin/AFP

Madson de Moraes

Colaboração para o TAB

14/01/2020 04h00

O executivo brasileiro Carlos Ghosn, ex-chefão do Grupo Renault, é o Indiana Jones da vez. Ele escapou da prisão domiciliar que cumpria em Tóquio numa operação digna de thriller de espionagem de Hollywood: no finalzinho de 2019, mesmo sob vigilância e sérias restrições impostas pela justiça do Japão, o empresário acusado de crimes financeiros driblou as autoridades e fugiu para o Líbano via Turquia. O episódio entra para a galeria das fugas mais audaciosas da história.

O magnata chegou ao Líbano na véspera do Ano Novo, e tem sido tratado como uma celebridade local, embora sua chegada no país tenha criado um imbróglio jurídico. Ghosn voou em um jato particular como "bagagem": ele teria feito o trajeto escondido dentro de uma grande caixa preta, daquelas usadas para transportar instrumentos musicais. Detalhe: a aventura teve uma ajudinha de um veterano do exército norte-americano.

O ex-manda-chuva da Nissan, que se preparava para encarar o tribunal japonês, se diz vítima de uma conspiração. Mas a mistura de audácia e a grana envolvida (com corrupção de autoridades japonesas e estrangeiras) faz a fuga entrar em um hall de escapadas espetaculares. Confira:

1. Iogui lambuzado

O professor de ioga coreano Choi Gap-Bok ganhou as manchetes em 2012 por fugir da prisão ao se lambuzar de pomada e escapar por uma abertura de 15 cm de largura por 45 cm de comprimento — a portícula da cela usada para dar as refeições aos prisioneiros. Detido por acusação de roubo, a fuga do iogue ocorreu numa madrugada e teria levado menos de um minuto. O vídeo abaixo mostra o perrengue de escapar por um buraco pequeno.

2. No coração de Paris

"Colecionador de fugas", o francês Michel Vaujour ficou mais conhecido pela última, em 1986, quando pintou pêssegos para que se parecessem com granadas, assustando os guardas. Conseguiu despistar os carcereiros e subir correndo ao telhado da prisão, onde sua esposa à época o aguardava pilotando um helicóptero. Toda a operação teria durado menos de cinco minutos. Vaujour foi novamente preso e finalmente libertado em 2003. Sua vida foi tema de um documentário, e ele escreveu um livro de pegada meio espiritual.

3. Escadinha de helicóptero

Escadinha era um traficante conhecido no Rio de Janeiro por fugas que deixavam a polícia de cabelo em pé. A mais famosa foi em 1985, quando, a poucos metros da guarda do hoje extinto presídio Cândido Mendes na Ilha Grande, considerado na época de segurança máxima, um helicóptero pousou no pátio onde ficavam os alojamentos para visitantes e onde estavam a esposa e o traficante. Ambos entraram no helicóptero sem qualquer reação da polícia e foram para Angra dos Reis, onde seguiram com a fuga em um carro. O traficante foi morto em 2004.

4. Fingiu que tinha HIV

Eis um vigarista: a fuga mais doidona do norte-americano Steven Russell foi falsificar seus registros médicos e perder peso de propósito para fingir ter o vírus HIV e estar com a síndrome em estágio avançado. As autoridades caíram na lábia e aceitaram enviá-lo a um hospício em liberdade condicional. Russell foi além: ligou para o hospício e se passou por um médico especialista em tratamento experimental de HIV, autorizando a si mesmo a participar de um teste clínico fictício. Tempos depois declarou-se morto para as autoridades. Claro que o golpe não deu certo e ele acabou sendo pego na mentira. Russell cumpre pena de 144 anos de prisão no Texas, e sua história foi contada no filme "O Golpista do Ano", com Ewan McGregor e Jim Carrey.

5. Rede de túneis

Pablo Escobar - Wikimedia Commons - Wikimedia Commons
Pablo Escobar
Imagem: Wikimedia Commons

O traficante colombiano Pablo Escobar escapou da "La Catedral" em 1992. Já seria impressionante por si só: a prisão foi construída por ele mesmo, em uma negociação esquisita com as autoridades. Ele conseguia comandar o cartel de drogas dentro da cadeia e desfrutava uma vida de mordomias. Quando a justiça resolveu transferi-lo para outra prisão que não a sua, Escobar ficou arretado: houve resistência e troca de tiros. Ele e mais 12 de seus capangas escaparam por uma rede de túneis que tinham mandado construir. Escobar foi morto pela polícia em 1993.

Heliponto em "El Catedral", prisão que Pablo Escobar construiu para si mesmo, em Medellín - Stefanomione/Wikimedia Commons - Stefanomione/Wikimedia Commons
Heliponto em "El Catedral", prisão que Pablo Escobar construiu para si mesmo, em Medellín
Imagem: Stefanomione/Wikimedia Commons

6. Trouxa de roupa suja

Ainda na toada dos narcotraficantes mais perigosos do mundo, Joaquin Guzmán Loera, El Chapo, é outro que ganhou as páginas dos jornais por suas fugas. Em 2001, ele escapou do presídio de segurança máxima no México dentro de um carrinho de roupa suja da lavanderia. Outros relatos dizem que os próprios guardas, subornados, o deixaram sair. Para continuar livre, ele coordenava uma rede enorme de propina a autoridades e vários informantes. Mas não teve jeito: acabou sendo capturado novamente e deportado para os EUA, onde foi condenado à prisão perpétua em 2019.

Prisão de El Chapo, em 2016 - Ted Psahos/Wikimedia Commons - Ted Psahos/Wikimedia Commons
Prisão de El Chapo, em 2016
Imagem: Ted Psahos/Wikimedia Commons

7. Apoio do IRA

O chileno Mauricio Hernández Norambuena cumpriu pena no Brasil pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto, em 2001, e foi extraditado para o Chile em 2019. Com longa ficha corrida, ele tinha tinha anteriormente uma fuga prá lá de midiática, chamada pela imprensa chilena de "fuga do século". Aconteceu em 1996, quando Norambuena foi resgatado de helicóptero de um presídio de segurança máxima em uma operação que teria tido até o apoio do Exército Republicano Irlandês (IRA). Ele é o criminoso a ficar mais tempo em solitária nas prisões brasileiras: 16 anos.

Chileno Mauricio Hernández Norambuena, preso em fevereiro de 2002 - Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo - Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo
Chileno Mauricio Hernández Norambuena, preso em fevereiro de 2002
Imagem: Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo

8. O golpista da República Velha

Conhecido como "Robin Hood dos sertões", Afonso Coelho é tido como um dos grandes golpistas da chamada República Velha, período na história brasileira que vai de 1889 a 1930. Famoso pelos golpes em comerciantes de grandes cidades, ele foi preso nove vezes. Uma de suas fugas aconteceu em 1897. Preso no Rio, o golpista voltava para a carceragem escoltado por dois policiais e, com todos mortos de fome, conseguiu convencer os guardas a pararem num hotel para comer. Depois de muito goró, os guardas se distraíram e o golpista escafedeu-se. Reza a lenda que ele teria surgido em um cavalo branco e galopado a outra cidade e retornado dias depois, disfarçado de padre, para ouvir os comentários do povo sobre sua fuga. Anos mais tarde, Coelho teria sido assassinado pela própria esposa.