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Máscara sai de moda em SP: vendas estão em queda e o preço é de liquidação

Vendas despencaram e Krayver tem tempo para uma cerveja enquanto vende máscaras na 25 de Março - Felipe Pereira/UOL
Vendas despencaram e Krayver tem tempo para uma cerveja enquanto vende máscaras na 25 de Março Imagem: Felipe Pereira/UOL

Felipe Pereira

Do TAB

23/12/2020 04h01

A máscara saiu de moda em São Paulo. Mesmo com lei obrigando o uso, as vendas despencaram na cidade com mais mortes por Covid-19 do Brasil. Como no comércio impera a lei da oferta e demanda, os preços baixaram.

Termômetro do consumo popular, a rua 25 de Março traduz a situação. No auge do negócio, Krayver Renan Silva, 21, vendia 5 mil máscaras por dia. Hoje, volta para casa feliz se vende mil unidades.

Com menos gente interessada, o preço mudou. Antes, o ambulante cobrava R$ 10 por quatro máscaras. Agora, a mesma quantia leva cinco unidades. Krayver conta que desde a época da bonança seus clientes são donos de lojas que compram para revender. Ou seja, a derrocada do ambulante é reflexo de toda a cadeia.

Ele lembra que o período de melhores vendas foi de agosto a setembro, logo após a cidade entrar na fase verde do plano de retomada de atividades. Hoje, Krayver faz menos dinheiro, mas tem dias mais sossegados.

Em vez da correria de atender vários clientes ao mesmo tempo, as tardes parecem de pescador. Ele passa as horas sentado numa banqueta, bebericando Skol. De tempos em tempos, acende um cigarro.

Walter  - Felipe Pereira - Felipe Pereira
Walter segura a última máscara, produto que vai parar de vender
Imagem: Felipe Pereira

Walter abandonou venda de máscaras

No outro lado da rua, Walter Antônio dos Santos, 69, se despediu do negócio de máscaras. Ele trabalha em uma banca e as vendas encalharam. A última encomenda de cem unidades levou quase um mês para sair. Havia uma unidade restante na última sexta-feira (18), que decidiu guardar para si. "Agora que acabou o estoque, não pego mais."

Os dois vendedores têm opiniões semelhantes sobre as razões da queda nos negócios. Acham que é uma combinação de fatores. O primeiro motivo seria menos pessoas respeitando a lei que obriga uso de máscara. O outro é que quem continua a se prevenir já tem um estoque grande de máscaras.

A situação vivida no comércio popular se repete no restante de São Paulo. Na avenida Paulista, José João da Silva conta que as vendas caíram 40%. Ele não teme pelo bolso, mas pela saúde.

"As coisas deveriam melhorar porque as pessoas precisam se cuidar. Estou preocupado."

Laís Torico, 35, monta sua barraca de bijuterias no terminal Vila Madalena, na zona oeste da capital, e ganhou dinheiro em setembro e outubro vendendo máscaras. Desde então, a coisa empacou. Diante da situação, Laís baixou o preço de R$ 7 para R$ 5. Não adiantou muito.

"Faz três semanas que não faço mais pedidos [de máscaras]. O que vai salvar são as 'bijus'. Ninguém dá máscara de Natal, mas bijus, sim."

José Airton - Felipe Pereira - Felipe Pereira
José Airton faz da bicicleta uma arara de máscaras na Vila Prudente
Imagem: Felipe Pereira

Pretinho básico continua campeão de vendas

O discurso é o mesmo na Vila Prudente, na zona leste. José Airton Lima, 48, admite que faz o preço pela cara do cliente. Nos primeiros meses de flexibilização, chegava a conseguir R$ 10 por uma máscara com estampa. Agora, não coloca mais que R$ 6 no bolso.

A rotina de ambulante segue igual, mas com maior diversificação de produtos. Pela manhã, ele estaciona sua bicicleta e abre o guarda-sol numa esquina perto da estação. Além das máscaras, oferece água. A lógica por trás da estratégia é o verão.

"Ninguém põe máscara no calor, só na hora de entrar na estação. Mas água é diferente. Vendi cinco fardos de 12 pela manhã."

Se as vendas desabaram, uma coisa não mudou. Máscaras pretas continuam soberanas no gosto popular. Krayver conta que para quatro pretas vendidas, sai uma de outra cor. "As pessoas conversam entre si e dizem que é neutra e mais fácil de combinar." Entre as infantis, as preferidas são de Lucas Neto, Now United e Homem-Aranha.