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Pais brasileiros são os que mais tentam influenciar gosto musical de filhos

Criança curte show de jazz enquanto os pais almoçam, em São Paulo - Fabio Braga/Folhapress,
Criança curte show de jazz enquanto os pais almoçam, em São Paulo Imagem: Fabio Braga/Folhapress,

Tiago Dias

Do TAB, em São Paulo

10/08/2019 04h00

Sete em cada dez pais do mundo (72%) tentam influenciar o gosto musical dos filhos. Essa ingerência familiar é ainda maior quando focamos no Brasil. Por aqui, 85% dos pais pesquisados acreditam que é importante incentivar os filhos a ouvir e gostar da mesma música que eles.

É o que revela uma pesquisa feita pelo serviço de streaming Deezer com 10.000 pais com filhos menores de 18 anos em cinco países: Brasil, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Se você que já é pai e quer introduzir os filhos aos seus artistas e ritmos preferidos, saiba que isso é possível. Segundo o neurocientista Hauke Egermann, do Departamento de Música da Universidade de York, essa abertura é possível, mas existe uma idade limite para essa influência.

"O tempo é essencial, a influência dos pais tende a ser mais eficaz durante o período crítico antes dos 10 anos, quando a puberdade começa", observa Egermann.

Quanto mais próximos da adolescência, mais o jogo muda. Nessa fase da vida, eles ficam mais avessos às preferências dos pais, preferindo seguir o gosto dos colegas.

Pais musicais

Os pais entrevistados revelaram suas estratégias para influenciar os filhos. Entre as táticas está escolher a música que vai ser ouvida no carro "porque os filhos não podem escapar", mas a opção mais escolhida (56%) foi levar os pequenos aos shows. No Brasil, isso acontece desde muito cedo: 2 a 3 anos (19%), 4 a 5 (18%), 6 e 7 (15%) e 8 e 9 (11%).

Entre os gêneros que os pais mais apresentam para seus filhos está pop brasileiro (categoria que inclui MPB) com 42%, seguido de rock, sertanejo, gospel e pop.

Já a resposta das crianças vai por outro caminho. Os pais relatam maior aceitação dos filhos com gospel (97% responderam positivamente ao gênero), pop brasileiro (96%), pop (94%), rock (94%) e sertanejo (90%).

Infelizmente, os fãs de punk podem ter dificuldades para influenciar seus filhos. É o gênero com maior baixa de aceitação entre as crianças no Brasil, 63%.

O levantamento parece indicar que os pais brasileiros são extremamente musicais. Entre os 2.000 brasileiros ouvidos em outubro de 2018, 77% disseram ouvir música todos os dias.

Getty Images/iStock
Imagem: Getty Images/iStock
Benefícios para a vida

Para 57%, essa influência serve para "educar" os filhos para ter uma visão aberta da variedade musical no mundo, enquanto 33% fazem isso para que os filhos gostem das mesmas coisas que eles.

Esse interesse pela "educação musical" é algo que guia mais os pais (75%) do que as mães brasileiras (70%), embora a pesquisa mostre que 41% das mães relatam que tiveram melhores respostas dos filhos do que os pais (25%).

Segundo Egermann, a exposição a uma variedade maior de músicas está ligada, por meio de estudos acadêmicos, a resultados sociais positivos e maior aceitação à diversidade na vida adulta. "Ao tocar para as crianças uma variedade de gêneros antes da puberdade, eles se tornam adultos mais abertos a outros tipos de músicas", diz.

"Os benefícios de ter um gosto mais amplo na música incluem a capacidade de gerenciar suas emoções de forma mais eficaz, socializar e se relacionar com os outros com mais facilidade, bem como ter uma melhor compreensão de outras culturas."

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