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Diversão obrigatória: como o streaming transformou séries em 'jobs'

Nicolas J Leclercq/Unsplash
Imagem: Nicolas J Leclercq/Unsplash

Do TAB

07/02/2021 04h00

Já viu "O Gambito da Rainha"? E "Bridgerton"? Mas a série da Anitta você já viu, né?

Conversar no século 21 envolve, quase inevitavelmente, falar de séries. Principalmente se você é jovem. Mas, convenhamos: ninguém tem tempo de assistir ao catálogo inteiro de novidades da Netflix, da Amazon Prime, da HBO Go, da Disney+, e ainda se atualizar dos clássicos que todo mundo vive comentando. Sobra a velha estratégia de sorrir e acenar com a cabeça quando o assunto vai parar numa série "obrigatória" que você não viu ainda.

"A gente fica nessa abundância, o conteúdo reinando nas redes sociais, todo mundo falando da série do momento, do que é, do que está rolando. Esse FoMO que rola quando alguma coisa está muito em alta, e você não dá conta de assistir tudo. A série virou um pouco um job", define Marina Roale, head de pesquisa da Consumoteca, no mais novo episódio de CAOScast, que fala dos paradoxos do streaming (ouça no vídeo acima a partir de 12:49). FoMO é a velha conhecida sensação de que você está por fora de algo muito legal que todo mundo está comentando — o fear of missing out, em inglês.

Além da pluralidade de serviços de streaming, o tempo extra em casa durante a pandemia aumentou o consumo de entretenimento sob demanda. Até julho de 2020, só a Netflix já havia conquistado mais de 10 milhões de novos usuários.

A pesquisadora Rebeca de Moraes, também da trupe dos caóticos, confessa que equilibra bem as formas de entretenimento em casa. Mas, quando decide ver uma série, é maratona até o final. "Olha, eu li muito na pandemia. Muito mais do que eu li em toda a minha vida", conta ela no episódio do podcast. "Acho que saí do armário e passei a me definir como uma cinéfila mesmo nesta pandemia, porque eu vi muito filme. Vejo bastante série também, mas eu tenho um problema que acho que o 'chip' de como assistir série não veio comigo e não deu para encaixar", brinca ela ao contar das maratonas intermináveis (a partir de 6:23).

E aí mora um outro problema: além de ver tudo que está em alta, você precisa ver rápido para não perder o fio da discussão

"Antes, quando a gente se pautava pela televisão, não tinha essa lógica do horário on demand.", afirma Roale. "Então todo mundo acompanhava ali a novela das 9 e aí todo mundo ia saber o final da novela meio que junto. A tua agenda de novidade andava com a dos outros. Agora não. Pode sair 'O Gambito da Rainha', posso ir vendo devagar, mas o Tiago já viu, comentou no Instagram dele, tem gente comentando aquilo, e você vai ficando numa ansiedade do 'peraí eu tenho que saber logo o que está acontecendo" (a partir de 18:37).

Longe de nós querermos causar ainda mais FoMO em você, mas não dá para perder este episódio do CAOScast, hein? Dá o play ali em cima para entender como o streaming bagunçou — mas também facilitou muito — o nosso consumo de entretenimento.