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Fora da Curva #21: Qual o futuro para quem trabalha com música?

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16/09/2020 11h10

No quarto episódio do podcast "Fora da Curva", a empreendedora e criadora de conteúdo Monique Evelle entrevista Fabiana Batistela, diretora da SIM (Semana Internacional de Música) de São Paulo, um dos principais eventos musicais da cidade. Em 2020, o evento durará 35 dias, online, com shows de mais de 300 artistas. No bate-papo, Batistela falou das adaptações digitais necessárias ao cenário e trouxe visões e reflexões sobre o setor da música no país.

Ouça o programa no arquivo acima.

Com a pandemia de Covid-19, o mercado da música esfacelou-se. Festivais e shows foram cancelados. Além de falar sobre os prejuízos financeiros, Batistela ressaltou que falta suporte do poder público e isso pode ser reflexo da desorganização da própria classe. "A gente tem visto no Brasil uma tentativa de desmonte da cultura. Isso é real. Falta de apoio, perda do Ministério da Cultura, perda das secretarias locais de cultura (...) inúmeras ações de tentativa de desmonte da cultura, tudo isso vó veio a piorar com a pandemia. O que a gente percebeu é que o mercado da música está muito pouco organizado em associações", comentou (ouça a partir de 7:00).

Fabiana acredita que é normal que haja uma busca por auxílio financeiro para a área, mas é um erro: deveriam existir políticas de Estado garantindo uma estrutura básica para o mercado cultural. "A indústria da música é uma das mais poderosas do Brasil, não só das indústrias criativas, mas das indústrias de todos os setores. Ela emprega muito mais gente do que a indústria automobilística, por exemplo, e a gente precisa começar a entender que ela precisa de apoio para crescer cada vez mais, para se organizar e para ter essa estrutura de trabalho o ano todo", comentou Fabiana (ouça a partir de 10:02).

A apresentadora alertou que, apesar de os artistas ficarem em destaque nessa perda financeira, o impacto da pandemia de Covid-19 é em todo o ecossistema ligado à área. Mesmoquem está ativo nas lives pode estar passando por dificuldade.

Fabiana afirmou que o artista é fundamental — sem ele não há nada —, mas dois setores importantes estão sofrendo muito: as casas de show e os festivais, cuja crise acaba reverberando em todo o resto da cadeia produtiva e artística. É o mercado da música ao vivo que movimenta a área financeiramente.

"O artista, a grande parte dele, não vive ainda de monetização no digital, Isso é muito importante entender (...) Ele vive do ao vivo, mesmo (...) A maioria deles [artistas] é que gerenciam suas próprias carreiras (...) é difícil ter uma grande organização, uma gravadora por trás investindo na tua carreira. Mesmo os grandes artistas, que estão nas gravadoras, não têm mais aquele investimento que tinha na década de 1980 ou 1990 (...) O modelo de negócio mudou muito nas últimas décadas, e essa crise mexeu com a estrutura de quem financia a música, que é o mercado ao vivo. Para mim, é a crise mais grave da indústria", comentou a diretora da SIM (a partir de 12:13).

Fabiana Batistela é diretora da SIM (Semana Internacional de Música) de São Paulo há sete anos e atua como diretora da Inker Agência Cultural, que trabalha com consultoria e projetos de música. É formada em marketing e publicidade pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

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