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CAOScast: Qual é o significado do Dia da Mulher atualmente?

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Do TAB

04/03/2021 04h00

Logo menos, chega dia 8 de março — data em que muita gente fica confusa se pode ou não dar flores ou dizer "parabéns" às mulheres que ama (dica: na dúvida, use a data para refletir). O debate em torno do significado e da etiqueta do Dia da Mulher costuma reacender discursos de empoderamento e de consumo. Por isso, nesta semana, a trupe do CAOScast nos faz fritar as ideias em torno do feminismo e do que essa palavra significa em diferentes contextos. Ouça o episódio fresquinho acima!

"Quando a gente vai para campo, quando a gente vai entender como as pessoas estão consumindo, como essas mulheres estão se entendendo, essa narrativa girl power é mais forte do que qualquer coisa", relata a líder de pesquisa da Consumoteca, Marina Roale. "Principalmente quando a gente vai falar com o público mainstream, com o público que não tem acesso a escolaridade tão grande, que mora em regiões periféricas? É muito mais sobre se empoderar do que se ver como militante de uma causa", constata (ouça a partir de 10:57).

A Consumoteca foi ouvir mulheres dos mais variados contextos e entendeu que conceitos como feminismo, empoderamento e patriarcado estão intimamente conectados aos discursos delas, mas nem sempre essas palavras aparecem nas falas, e em alguns momentos são inclusive vistas de forma negativa.

É o discurso que muitas vezes vem em forma de "não sou feminista, sou a favor de que todos sejam iguais", que denuncia a incompreensão do feminismo como "superioridade" das mulheres, relatam os caóticos. "As pessoas ainda acham que feminismo e machismo se opõem. Ainda tem muito ruído de achar que o movimento impõe muita limitação, então elas ficam com medo de se declarar também, acho que rola um pouco isso", opina Roale (a partir de 14:44).

Mas a pesquisadora Rebeca de Moraes faz questão de destacar, no episódio do podcast, que a simples rejeição desses termos não faz da luta dessas mulheres menos relevante e nem menos? feminista. "Eu acho que o grande desafio do movimento feminista no lugar do ativismo, na minha visão, é amplificar essa possibilidade de pertencimento. Não é só quem usa os termos desse feminismo neoliberal, ou de termos da moda que seja — empoderamento, patriarcado, cultura do estupro — que é feminista. Nem na teoria", afirma ela (a partir de 22:49).

Aliás, no limite, discursos "rasos" podem acarretar em outros problemas. Se a discussão sobre o empoderamento feminino não é aprofundada, acaba levando à ideia de que a mulher pode e deve fazer tudo, criando uma nova carga no trabalho já pesado que elas desempenham.

"Nossa sociedade patriarcal exige tanto dessas mulheres que faz com que elas sejam construídas a partir de uma fibra humana muito impressionante, muito tenaz. São mulheres que dão conta de muita coisa, acho que ao passo de isso virar uma armadilha, na minha percepção. Porque aí surge o mito da mulher guerreira, que dá conta de tudo, e me parece que essa é uma violência simbólica importante, que não abre brecha para falha, para vulnerabilidade", pondera o pesquisador Tiago Faria (a partir de 11:55).

E como ficam as marcas em meio a tudo isso? Confusas, é claro. Para a trupe da Consumoteca, é importante que as corporações estejam abertas a se aprofundar nessas discussões e entender a mulher não mais como nicho, como clientela apenas de produtos de beleza, por exemplo, mas sim como chefes da casa e detentoras do poder de decisão sobre o consumo. Conversar com essas mulheres — seja com as feministas que se definem como tal, seja com aquelas que apenas colocam as ações em prática sem usar o termo — passa por entender, respeitar e aplicar seus valores.

CAOScast, como sempre, traz ainda várias outras dicas de ouro e insights para quem quer compreender os fenômenos comportamentais da atualidade. Você não vai ficar por fora, né?

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