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CAOScast: o pop transformou a música e o gosto musical. Foi para melhor?

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Do TAB

20/05/2021 04h01

Falar em tribos — clubbers, roqueiros, punks, emos — soa tão antiquado que poderia ter vindo diretamente de um episódio de 2007 de "Malhação". Atualmente, é difícil ver alguém se definindo pelo estilo musical que ouve; nem mesmo os próprios cantores e bandas fazem isso com tanta clareza.

O pop acabou influenciando diversos estilos musicais, e hoje um show da Simone & Simaria tem produção mais parecida com a de uma apresentação da Britney Spears do que de Sula Miranda, observa a líder de pesquisa da Consumoteca, Marina Roale, no episódio do CAOScast veiculado esta semana em TAB.

Music remix "é o nome que a gente traz para falar dessa necessidade de misturar gêneros pra gente se relacionar e se identificar com música, nessa era onde ninguém mais se encaixa em quadrados e se define por caixinhas", explica Roale (ouça a partir de 3:49).

A escolha de qual música ouvir vem mais do mood do momento do que necessariamente do estilo da pessoa, e reflete mais um humor passageiro do que a personalidade. "Não tem mais essa questão de ?eu escuto sertanejo?, ?eu escuto bossa nova?, ou ?eu escuto Anitta?. Eu não tenho um jeito próprio de me vestir e não tenho que atender a uma expectativa única para falar disso. Porque, nesse mundo tão louco, a nossa identidade está fluida também", diz a pesquisadora (a partir de 4:55).

Isso abre espaço para mais pluralidade? Uma pesquisa realizada pelo Grupo Consumoteca indica que os jovens estigmatizam bem menos gêneros como funk e rap, em comparação com quem já é mais velho. Isso pode ser reflexo de uma maior aceitação por parte do público, mas também pode vir de uma certa uniformização dos gêneros, avaliam os caóticos.

"Essa mudança na direção do pop não acontece somente na música em si, mas também na aparência dos artistas, né? Acho que tem uma universalização de uma estética, a chamada estética pop.Que é justamente o que permite que o sertanejo, o funk ou o rap possa ter sucesso fora de seus nichos. A gente pensa no passado do sertanejo: como era caricatural a pessoa que gostasse de sertanejo", avalia o pesquisador Tiago Faria (a partir de 18:08).

Além do mood, influenciam também nas nossas escolhas os serviços de streaming ou sites que usamos para ouvir música, que podem contribuir com a homogeneização dos gostos. "Como fica a ideia de gosto musical? Porque, a rigor, o que me apresentam eu gosto, me identifico e isso forma meu gosto. Se toda semana um aplicativo bota lá numa pasta ?minhas descobertas? ou ?seu radar?, o que ele está me dizendo, em outras palavras é: ?tá aqui o que você gosta?", diz a pesquisadora Rebeca de Moraes (a partir de 26:02).

Mais do que estilos, o que divide os ouvintes hoje é a preguiça ou a força de vontade de conhecer artistas e gêneros novos por conta própria. Dá trabalho ficar por dentro dos novos hits. Enquanto alguns estão confortáveis em ouvir o que já curtem e receber recomendações de algoritmos e amigos, outros adoram correr atrás das últimas novidades e de artistas menos conhecidos.

Em qual time você está? Ouça o episódio completo de CAOScast acima para descobrir o que os caóticos andam escutando, e como a indústria musical está se adaptando (e sendo hackeada) para continuar nos agradando.

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