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Conversas sobre comportamentos e tendências que fazem a cabeça dos brasileiros


CAOScast: Na pandemia, casas viram bunkers -- pelo menos até a água acabar

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Do TAB

30/09/2021 04h01

Quando sair às ruas se tornou um perigo para a saúde, a casa precisou de novos significados: não apenas um lugar para descanso, mas um espaço pronto para suprir todas as necessidades da vida.

Nesta semana, a antenada equipe do CAOScast mergulha no assunto: afinal, qual é a da nova casa brasileira? O sonho do jovem contemporâneo de ter um apartamentinho minúsculo mas bem localizado deixou de ser ideal? Agora é preciso quintal, espaço para home office, planta e bicho?
Michel Alcoforado lembra que uma casa sempre foi o retrato de uma geração, um fator que ilustra o modo de vida. "Casa de vó tem cara de casa de vó, casa de mãe tem cara de casa de mãe, e casa de jovem tem cara de casa de jovem", diz ele (ouça a partir de 7:40).

Para os pesquisadores, essa nova casa pode ser chamada de "casa bunker", "justamente porque essa casa de hoje não pode ser um local meramente de passagem, que é o que elas foram virando nos últimos anos, uma casa para dormir e estar próximo de tudo para fazer a vida funcionar. Agora essa casa vira também um local de sobrevivência", diz a líder de pesquisa da Consumoteca, Marina Roale (ouça a partir de 6:10).

"Todos os sentimentos possíveis cabem dentro dessa casa bunker. A necessidade de estar focado quando precisa trabalhar, de estar protegido, de se divertir? Tem de dar conta de muito mais coisas", prossegue ela.

O influencer Daniel Virgnio, do Instagram Cafofo do Dani, afirma que o cenário pandêmico aumentou o interesse em conteúdos sobre decoração de interiores. E ele nota ainda um crescimento na tendência chamada de "urban jungle" — nada mais do que uma versão contemporânea do prazer de cuidar de muitas plantinhas dentro de casa.

"Como reflexo do estar em casa, a gente pôde olhar para nossa casa. Não só a decoração, mas as plantas também entram como um item de afetivo, de cuidado. E de decoração. As plantas trouxeram vida. E esse movimento hoje é muito grande", comenta ele (ouça a partir de 16:35).

Nessa onda do aconchego, coisas com que os jovens contemporâneos pareciam não se importar voltaram a ter relevância. Por exemplo: um banheiro confortável, espaçoso e bonito -- e não apenas aqueles cubículos apertados que se tornaram praxe nos lançamentos imobiliários dos últimos anos.
Os pesquisadores destacam ainda pequenos mimos que antes eram só vivenciados e valorizados durante viagens, como algo próprio de um hotel. É o caso da vontade de ter lençóis com uma boa gama de fios.

Tiago Faria admite que, para ele, a casa sempre foi o mais importante. E o contexto pandêmico só fez com que ele aprofundasse essa necessidade de se sentir bem acolhido dentro de um imóvel. Em seu caso, aliás, imóveis — assim, no plural.

"Eu passei a usufruir mais, sim [de hospedagens como Airbnb, durante a pandemia]. São Paulo não fechou a conta. Não fazia muito sentido a gente ficar dentro do apartamento. Dei umas escapadas. Mas eu já tinha uma relação muito visceral com a casa, trabalhava de casa. Eu sou um cara que gosta de ficar em casa. Eu faço turismo de casa. Se estiver numa casinha gostosa rodeada de um bom espaço, pode ser em qualquer lugar", pontua ele (ouça a partir de 3:40).

A pandemia também fez com que você repensasse sua casa? Ouça o episódio completo de CAOScast e entenda a vibe.
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