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Conversas sobre comportamentos e tendências que fazem a cabeça dos brasileiros


CAOScast: um tempo para repensar o tempo

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19/08/2021 04h00

Esta questão nem foi inventada pela pandemia - mas foi agravada por ela. Desde a década de 1990, quando a sociedade passou a ser plenamente dominada por meios eletrônicos, parece que o tempo está cada vez mais escasso.

O que é o tempo para você? Está ligado à produtividade ou você consegue encaixar seus prazeres no dia a dia? Você tem um método próprio para gerir seu tempo? Vê qualidade no seu tempo? Consegue degustá-lo? Nesta semana, a trupe do CAOScast debate um elemento que une a todos nós: a passagem do tempo. Para ouvir a conversa, clique no vídeo acima.

"Não sei se é um truque, mas eu abraço o caos e vou me curando nos vácuos. Tento adicionar pílulas dionísicas ao longo do dia", afirma o pesquisador Tiago Faria. "Eu sempre me acarinho quando julgo que me abusei. A rotina e o tempo burocrático acabam raptando a gente, e a gente precisa negociar mesmo todo dia esse resgate de devolver a gente para a gente mesmo. Tenho muito medo de ficar muito tempo longe de mim e não me reconhecer. O tempo é o verdadeiro luxo." (ouça a partir de 4:00)

Marina Roale, líder de pesquisa da Consumoteca, ressalta que a pandemia de covid-19 veio como um ingrediente a mais nesse caldo, trazendo até uma mudança de percepção do tempo. (ouça a partir de 2:40)

Mas é um processo que já vinha sendo intensificado pelas novas tecnologias, do transporte mais rápido aos computadores mais eficientes para o trabalho. "É a otimização da vida, a lógica de que a gente vive sempre tentando aproveitar o melhor do tempo, e a gente acha que isso é performar o melhor possível dentro do menor espaço de tempo", avalia Marina. "É a lógica da produtividade, e isso enlouquece um pouco a gente também. A gente vem criando um monte de recursos mas não sente que está ganhando mais tempo." (a partir de 8:15)

Porque estamos preenchendo esses espaços com outras tarefas. "E isso pode gerar uma certa angústia", complementa ela.

O bode expiatório é a tecnologia. Se antes o tempo era medido de acordo com nossas possibilidades, o advento dos meios eletrônicos trouxe a certeza de que "tudo com a ajuda de uma máquina pode ser feito em menos tempo". "Isso muda a relação com o tempo", diz o pesquisador Michel Alcoforado. "E fazendo mais coisas em menos tempo, o tempo começa a passar mais rápido. O inferno que a gente está vivendo é culpa do iPad, do iPod, do iPhone e de tudo o que estão inventando." (a partir de 10:00)

E isso acarreta a famigerada cultura workaholic. "A ideia de que tempo é produtividade, a máxima de que, quanto mais tempo trabalhando, em tese mais produtivo você se torna. O que não é necessariamente verdade: o que a gente se depara é com pessoas que trabalham muito, mas que trabalham mal", afirma Tiago Faria. (a partir de 12:10)

Quer se aprofundar nessa questão? Tem tempo para isso? Ouça o episódio completo de CAOScast no player acima - mas não vale aumentar a velocidade de reprodução, hein?!

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