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Conversas sobre comportamentos e tendências que fazem a cabeça dos brasileiros


CAOScast: Velho pra quem? Conceitos sobre o envelhecimento foram atualizados

Do TAB

21/01/2021 04h00

Quantos anos você pretende viver? A pergunta assusta alguns, empolga outros, mas é fato que estamos ficando cada vez mais velhos. Se em, 1940, os brasileiros que chegavam aos 50 esperavam viver mais 19 anos (com sorte, já que a expectativa de vida era de 45 anos), hoje quem completa meio século costuma ter mais 30 primaveras pela frente. O que fazer com todo esse tempo?

Essa é a pergunta central do novo episódio de CAOScast veiculado em TAB. Se estamos vivendo mais — e com maior qualidade de vida — não parece fazer mais sentido colocar todos os idosos numa mesma caixinha e enxergá-los como um público homogêneo. Questões de gênero, classe social, localização geográfica e diversos outros fatores influenciam em como vivemos essa época da vida, mostram os caóticos Michel Alcoforado, antropólogo, Marina Roale, head de pesquisa da Consumoteca, Rebeca de Moraes, pesquisadora, e Tiago Faria, também pesquisador.

Sob o conceito que eles apelidaram de ageful -- o contrário do famoso ageless, que o capitalismo nos impõe como uma ideia de esconder os anos de vida --, eles debatem as formas plurais de passar dos 60 em uma sociedade que valoriza a produtividade.

"Biologicamente, envelhecer é inevitável — quer dizer, quase inevitável, porque tem todo um olhar de uma parte da medicina que busca erradicar os possíveis efeitos da passagem do tempo (...). Agora, na parte social, acho que a gente tem uma questão que é ser velho numa sociedade que tem, que reforça e que comemora os valores tidos como 'jovens', como a superprodutividade e estar ligado ao trabalho formal", pondera Moraes (Ouça a partir de 03:31)

Ela convidou a própria mãe a falar ao CAOScast sobre o assunto. Aos 63 anos, Regina Celia de Moraes está cheia de planos. "Meu futuro, de verdade, eu vejo com entusiasmo. Eu vejo com vontade, vejo com planos. Um dia eu escutei alguém dizendo assim: 'ah, mas nós temos mais passado do que futuro'. Ótimo, é isso mesmo. Mas se eu pensar que eu posso chegar lá na frente me cuidando, cuidando da minha cabeça, do meu físico também, claro, mas continuar com saúde, que coisa boa que vai ser. Você estar velho, que bom. Estou vivendo." (A partir de 14:30)

Além de Regina, os caóticos ouviram também a experiência da influenciadora Miréia Borges, comunicadora digital com foco no público 60+. Durante a pandemia, esse público viu retroceder um pouco aquele conceito de que a idade está na cabeça. Com uma doença que castiga mais os mais velhos, os idosos viram velhos preconceitos sobre eles voltarem à tona.

"Eu senti que eu estava inserida num grupo maior, um grupo grande, mas um grupo que estava sendo visado, um grupo de risco também. (...) Foi impactante. Muitas pessoas do grupo de risco se sentiram muito depreciadas", observa a influenciadora. (A partir de 29:59)

Nossos conceitos sobre a idade vêm mudando, e se você tiver sorte, vai ter que encará-los em alguns anos (se é que já não está fazendo isso). Então venha fritar as ideias e ficar ainda mais preparado para uma velhice ativa com o novo episódio de CAOScast.

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