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CAOScast: Sexualidade é mais do que sexo. Você tem 'sexestima'?

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Do TAB

18/02/2021 04h00

Os jovens de hoje podem até transar menos que a geração anterior, mas parece que estão falando mais e mais sobre sexo. Novas narrativas do pornô, heterossexualidade menos normativa e uma expansão do que é prazer contribuem para uma conversa mais frequente e aberta sobre o tema — que antes ficava restrito às aulas de biologia, à pornografia e aos cochichos entre amigas ou comentários "de machão".

E se o assunto está em alta, tem também episódio do CAOScast sobre ele. Nesta semana de Carnaval sem beijo na boca de desconhecidos (como manda a etiqueta da pandemia), os caóticos debatem o tabu que não é mais tabu — mas que ainda tem chão pela frente até virar conversa corriqueira. Para escutar, clica no vídeo acima.

Se antes o papo girava em torno do prazer do homem, hoje se fala mais em conexão com o outro e compreensão das suas vontades. A onda de autoconhecimento, liderada principalmente pelas mulheres, tem muito a ver com isso, avaliam os caóticos, que chamam essa nova tendência de sexestima. O conceito surgiu com a observação dos pesquisadores em aulas de tantra. As pessoas saíam das aulas discutindo autoestima, liberação de criatividade para o trabalho, sintonia com parceiros...

"Se o sexo antes era uma coisa não falada, como a gente estava dizendo aqui, que não se aprende, agora a gente vai para um lugar de acordos muito mais claros, em que a gente quer conversar com o parceiro sobre isso, conversar sobre nosso lugar na sexualidade. (...) Se antes era jogo de poder, passa a ser de troca. E, principalmente, se antes a gente falava de virilidade na sexualidade, a gente está falando sobre vitalidade", diz a pesquisadora Rebeca de Moraes (ouça a partir de 25:10).

As narrativas vêm mudando, mas ainda há muito espaço para expandir a conversa, principalmente de pontos de vista que não sejam o masculino. Uma pesquisa da Trop.Soledad descobriu que ambos os sexos costumam começar a vida sexual por volta dos 16 anos de idade, mas, enquanto os garotos dizem gostar de sexo desde os 15, as garotas começam a curtir mesmo só um ano depois de começar a transar. Enquanto eles já consumem pornografia e lidam de perto com o tema antes mesmo da maturação sexual, elas vão se descobrir mais tarde.

"Isso vira um puta problema, porque a gente foi super mal educado, e hoje não dá conta dessa mulherada que está por aí. Porque acho que essa fomentação do sexo para o homem é muito calcada na história do gozo e muito menos no processo em si. Então acho que tem muito homem que trepa muito mal até hoje", opina o pesquisador Tiago Faria, que ainda fala dos tabus extras para quem é homossexual (a partir de 13:07).

Para mudar esse cenário, os caóticos veem esperança em muita conversa, autoconhecimento e exemplos positivos. "A pornografia, ou a sexualidade como a gente é ensinado, é basicamente heteronormaltiva. Então o que a gente vê agora é a criação de muitas outras possibilidades de narrativa, inclusive para o ato sexual em si. (...) São essas, por exemplo, criadas por mulheres, ou por representantes da comunidade LGBTQI+, até dentro disso que a gente chama de pós-pornô, essas novas narrativas possíveis", diz Moraes (a partir de 19:57).

E você, fala sobre sexo? Mais do que isso: escuta bem o que os outros e as outras têm a dizer sobre sexo? Então pega os fones e vem ouvir o episódio de CAOScast desta semana!

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