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CAOScast: mulheres da geração Z fazem política, mas em cima de causas

26/11/2020 04h01

Política já não é mais coisa para pensar de dois em dois anos, só nas eleições. A geração Z está aí para provar que pequenos atos e posicionamentos do dia a dia são, sim, fazer política. E as mulheres tomam a frente quando o assunto é defesa de causas.

No 3° episódio do CAOScast, distribuído aqui no TAB, o papo é sobre como essas garotas vêm se posicionando politicamente e colhendo as sementes plantadas pelas mulheres das gerações anteriores. O antropólogo Michel Alcoforado, sócio-fundador da Consumoteca e colunista de TAB, conversa com a pesquisadora Rebeca de Moraes, Marina Roale, head de pesquisa da Consumoteca e Tiago Faria, pesquisador, sobre o tema.

Ouça no arquivo acima.

O CAOScast vai ao ar todas as quintas-feiras.

Se você ouviu o primeiro episódio do CAOScast, sobre os Zs na política, sabe bem que esse pessoal lida com causas identitárias e sociais o tempo todo, principalmente pela internet, mas não escolhe necessariamente um partido para defender. Eles são os "apartidários com causa". E, segundo pesquisas realizadas pela Consumoteca, as meninas têm essa característica ainda mais forte: 47% delas defendem alguma causa (sendo as principais igualdade racial, feminismo e meio ambiente), contra só 34% dos homens (no pódio estão igualdade racial, meio ambiente e causa animal).

"As garotas, por sofrerem mais por conta desses aspectos de gênero e todos esses preconceitos que já estamos acostumados a falar aqui, estão mais preocupadas com a transformação da sociedade, sobretudo nessa esfera micro, na esfera individual. Os meninos tendem a valorizar mais essas questões nacionais, debates mais amplos, e dão mais importância às eleições majoritárias", comenta Alcoforado (ouça a partir de 15:26).

Munidas de um maior acesso à educação, à troca de informações e, claro, com sua voz amplificada pelas redes, essas garotas encontram espaços que gerações anteriores não conseguiram ocupar — seja por falta de consciência ou por excesso de opressão. "Acho que a principal diferença da geração Z da gente, que é millennial, é que eles já começam nesse jogo muito conscientes. Eles entram na vida adulta mais conscientes do que eu fui. Com 18 anos eu pensava pouco na minha condição de mulher na sociedade", reflete Moraes (a partir de 6:34).

Mas, de qualquer forma, é preciso reconhecer que o caminho foi aberto pelas gerações anteriores, e que ainda há muito a ser feito, principalmente em temas como violência contra a mulher. As feministas que lutaram por equidade no passado plantaram as sementes que começam a dar frutos para as jovens adultas de hoje, lembra Roale. "Quando a gente fala aqui que essa geração é empoderada, consciente e tudo mais, a gente não pode esquecer que isso é uma colheita. Isso não começou agora, não nasce dentro da geração Z essa necessidade de mudar as estruturas" (a partir de 8:20).

Exemplos como Greta Thunberg, Malala Yousafzai e Maisa Silva mostram como as meninas da geração Z vêm tomando pautas seculares — defesa do meio-ambiente, educação de meninas, quebra de padrões físicos de gênero — e transformando essas discussões em algo palatável para seus colegas. A 'dica de ouro' do pesquisador Tiago Faria é que as marcas também saibam se apropriar da linguagem nativa digital para conversar com esse público de garotas informadas e mais exigentes.

E a participação delas não fica restrita ao debate de ideias, apesar de importante. A representatividade na política institucional também vem crescendo, como mostram as últimas eleições municipais. "Embora ainda exista uma subrepresentação, acho que tem uma luz no fim do túnel que está despontando de uma maneira muito forte. A gente tem dados da última eleição mostrando que a faixa etária entre 18 e 25 anos é a única faixa etária que a gente teve mais candidatas mulheres do que homens", constata Faria (a partir de 13:50).

Quer ouvir a reflexão completa sobre o tema, além de mais dicas preciosas para conversar com essas meninas informadas e cada vez mais empoderadas? Ouça o episódio completo desta semana do CAOScast.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição. Você pode ouvir Caoscast, produzido pela Consumoteca e distribuído por TAB UOL, em plataformas como Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Deezer e YouTube.